domingo, 10 de setembro de 2017

Vinte e poucos anos - Nicolas Santos

A angústia redentora combate o polo que equivoca futuras provocações, aprende quem dispõe-se, lanço de antemão certas condições, logo, mudo. Não tenho falado com ninguém, não sou procurado, requisitado para isto. Os incrédulos noticiam com toda sua voracidade, atingem à quem? Nasce em cada rua, uma história que logo morre no cruzamento, acimentado. Sei lá, esquece. Conheço hoje, amanhã não sei quem serás, nem quem serei. Conheço hoje e essa unanimidade desastrosa da relação convida ao fracasso total. Supera-te e não esperas nada de mim, não fico por muito tempo, ouça o que o vento é impedido de dizer, silêncio. Antes era novidade, antes. Então a juventude é só isso, tudo isto e menos. Tu é só isso, desprezível, eu, pior. Agora e de novo, angustio-me só por vislumbrar estas possibilidades que por enquanto, encontram-se apenas no mundo inteligível, tanto faz. Hoje ressoam manchas neste céu que tem acostumado-se a nos rasgar de ponta a ponta, eu ainda durmo, preciso de café e algo mais, só tem café. Invento na hora, palavra, medo ou disposição, depende do momento e de outros quinhentos, a esquerda tudo que posso ver, além da toxoplasmose. Eu tomo veneno no almoço.

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