domingo, 23 de abril de 2017

It's all over now, Baby Blue - Nicolas Santos

Peça-me algo que necessitas, depois se vá, dispenso o afeto que não pratico, espero que anseie pela ida e não retorne sem modos e meios. Enfim lhe parece melhor o final deste conto que nada consta em contato com o comodo, salvo a saudação daqueles que dizem possuir saudade. Desvendo para vós, em minha pessoa, nada belo, nem rosto, nem corpo ou alma. Desvende para que compreendam, eu nasci em pesadelo. Sinta falta, it’s all over now, Baby Blue. Que um dia reconheçam minha santa importância, estas palavras são capazes de exorcizar males da alma, sou pecador demais para pretensão. Prefiro a arquitetura de Glasgow, contento-me com a insaciável namoração de ideias não deturpadas, eu anúncio o sentimento, anunciam. Protestem com a superação de si, hoje não mais ao ontem, dialogo de forma convincente, dias longos e turmas que foram condenadas, incluo-me. Só ao que entendo necessário, o óbvio é desinteressante e cada vez mais com o passar do tempo, querer é estória de futuramente, deixe. O mundo é uma conjuntura de interesses, esses devem partir de um pressuposto recíproco e dialético, de resto, bobeiras, eu recordo.

domingo, 16 de abril de 2017

Nunca volte - Nicolas Santos

Fica. A van-guarda do egoísmo transmite seus valores e estes se alastram, de janelas que viram pessoas saltar, de bocas que seguraram, a língua. Quem segura o sol nas mãos? Completo domínio é autoridade, disso e daquilo não quero, tampouco espero, consideração, prefiro o café. Cada um com sua consciência, escolher é possibilidade a todo o tempo, vossa ciência é a liberdade, dentro das possibilidades. Aqui estamos. Teu repertório é descondensado junto as nobrezas da realidade, consigo e contenho, mesmo que seja invenção, estou capacitado ao que vier. Disseram, quando se calam? Isso não atrela angustia ao meu coração desguarnecido. Antigamente, brigar era mais do que poético. Interpretem a incredulidade, deixaram de olhar para o céu, é o sol, assumimos a culpa e devastamos a fortaleza dos incompetentes. A recompensa está declarada. A primeira nuvem que passar, será de nosso domínio, eu asseguro que nada lhe oferecerei, sinceridade é o que não esgota-se do meu devir. Indisciplina causa euforia, quantas revoltas morreram por bom comportamento? Consta que a lua tem seus valores, eu escolho livremente. Que a escuridão não falhe. Ao amanhã, odes incontáveis, mesmo assim, sou adepto dessa doença incurável chamada passado, agora que tens por quem ir, vá sem volta.

domingo, 9 de abril de 2017

A história de como morri - Nicolas Santos

Ao tempo dei tempo, não por querer ou um determinismo vagal, a realidade é que deram-me o tempo e desse pouco consumi, apenas identifiquei. É bom saber que estás trilhando um caminho que lhe permite dizer com certa segurança:“Estou bem”. Não sigo por essas avenidas e logo deixo-a. Sempre a esquerda, revolucionamos por não fazer silêncio ou compactuar com os deuses que moram no vigésimo quarto andar da multinacional. Excedem-se e desvalorizam o aspecto estrutural, debocham dos que tiveram nas costas o peso da dor de não poder expressar-se livremente, nada. Toma-me de assalto este cansaço inútil, inutilidade se compensa com poema, eu fico, ela se atenta e segue em frente, gente grande é assim. Lamento sua perda, poderia ganhar-me, como um desses prêmios recusáveis de qualquer manufatura contra-indicada, meus olhos se cansam. Recebo noticias distantes de alguém próximo, a calma cabe no mergulho a vossa angustia, fiquemos, sem usar nada que combine com nossos ossos. Tão fortes quanto qualquer sonho que altera todo vosso humor. Ela dizia algo, ligava e acordei, semearei a vontade que tenho do teu rosto. Nem nome temos, pelo menos, tu não, somos um amontoado que destaca de vez em quando qualquer um, só para sofrer indelicadamente por vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Remember - Nicolas Santos

Fortaleço a corrente dos que remam contra a maré, muitos, incabíveis, um pior do que o outro, defeitos aos montes que se juntam como torre. De Turim a tupiniquim, é tudo humano e isso só faz piorar, tua condição não condiciona, sua pele é mais macia do que deram como macio. Uma música do City and Colour nos seus olhos. Suas conexões incoerentes que pretendem a atenção em certa magnitude, enojam. Contudo, de pé, permanecemos, nem a ortografia lhe salvará. Sou estandarte, pura raiva, não finja, olha, não finja. Sei quem está e quem é, olha, não se importe. Isso já consegues com decência. Aposta vagal, disfuncionalidade é lição imoral, semi-ética, tudo que necessitamos para sobreviver aos acordos das planícies, dos planaltos.
A chuva é iminente, mas iminência não goteja. O respeito se dá, da floresta para com a semana que logo vem. Eu gosto de sumir. Assuma o sim.
Olhe para cima, é disso que falávamos, quando o mundo parecia realmente inofensivo, falei sobre, talvez não lembre, nem precisa, eu te disse. Sou a dispersão em um corpo despreparado a combater o mundo e suas casualidades. Olhar-te já não demanda meus sentimentos, aliás, sinto. O retrocesso é a lamentação da contemporaneidade, do futuro que inexiste, elogios, eles elogiam. Olha para salvação do despedaçado e o nada. Veja, isto é besteira, dão-se as mãos, ficam os pés, quem caminha de cabeça erguida sobressai, ou seja, encontro-me em desvantagem com isto. Não entendo, é só por isso, não acalmo-me, goste quem odiar, eu desmereço a simpatia forçada, fica por si, fique com teu ego e teu sonho. Radicalismo é militância despropriada. Sinto que fora tempo perdido. Qualquer minuto, a anunciação que eu precavidamente desatinei, hoje faz sentido. Não há o que prescrever sobre. Colocava a mão sobre minha perna direita e no frio dizia o meu nome sempre que possível, a chuva nos permitiu ficar debaixo da mesma, lembre.

domingo, 26 de março de 2017

Decoração - Nicolas Santos

Somos os filhos bastardos da solidão. Praticantes de religião alguma, filhotes selvagens, prestes a devorar expectativas e corações puros. Utilizamo-nos da práxis assertiva, não se utilizam de nós, sabe-se o que pretende, fico onde não devo, pura transcendência figurativa. A docilização prossegue e o olhar panóptico dos que encontram-se no topo da torre, não se distorce, é repressão atrás de repressão, além. Estancam a ferida com uma depressão segregadora, eu atrevo-me a indispor com quaisquer destes sistemas, desde que não suguem a minha alma. Fico por aqui mesmo, ondas sonoras e o apelo vagal da lua, eu tramito da forma convicta, fica por aqui mesmo, ondas sonoras a todos nós. Adeus a quem acata. Sou uma confusão semi-inanimada, desastre oral e astral, físico fraco e em decomposição, recebo de ti a sentença, morte ó morte, admiro-te. Fiquem onde estão, não me procurem, já fui encontrado, perto da indigência, todo santo é rei. Fique onde está, decoro teu abandono.

domingo, 19 de março de 2017

E você - Nicolas Santos

O descanso dos vencedores fornece a alternativa, consagro o desconhecido e logo abandono, trouxe à ti o que era teu, dê-me mais teus olhos. Prossigamos ao que chamo de decadência, essa afunda os pés na areia do imprevisível, tempo nada é, além de ser incontrolável. Ateu sim, persigam, obrigatoriamente prefiro a decência do equilíbrio moral, o bem está em atos, não doutrinaram-me, continuo, ateu. Resultam-nos dessas conversas, ao que se desdobra em meio ao presente, seu vocabulário doce e pele quebradiça, eu me perco, há tempos. Isso é destaque, mas não torna-se essencial, dias à limpo, desconverso sobre as não conversações, guio o seu começo, término e meio. Travessia é promessa, eu descumpro, a idade do súbito sistema solar, insone e resplandecente, tantos casos a beira do pântano. Contive e já dediquei-me mais a determinados aspectos e circunstâncias, sorrisos industrializados em cima do murro, caindo da ponte. Os desdobramentos sócio-históricos apontam cada vez mais para discursos pautados num consumismo de bens e relações. A urgência delimita um espaço importante e freia outros contribuintes vitais e inerentes a vida humana, atrelem a gentileza, sem vergonha. O capitalismo destrói-se e leva consigo para um buraco de egocentrismo e megalomania uma população que desconhece estes eventos, alienados.

domingo, 12 de março de 2017

Ainda preciso de ti - Nicolas Santos

Comece a disferir teus golpes, coração amortece impacto do que é pontiagudo em brincadeiras ou não, sei que logo vagará como todos fizeram. Carregam a ignorância, essa não é fardo, pois se quer dão-se conta deste peso sobre as próprias costas. Por excelência, recluso em si, mesmo. Afastam-se nesse gesto que conheço tão bem e pouco compreendo, evita-me e eu desabo, são tantos olhos e pessoas que pedirei teu abraço. Isso não explica-se por si só, nem deveria, explico teu sonho e te alimento quando triste está, não faça isso, eu ainda preciso de você. Já perdi-te tantas vezes que não mais sei ao certo o que é por si, certo, se quiseres, eu deixo, magoarei-me profundamente, mas permito-te. Permita-me, responderá só quem dedicar-se a isso, admiro o devaneio. Hoje pela manhã, faltou-me ar, de tão mal, tive que buscá-lo por ai. Venha como vem um daqueles animais, deposite sua hipocrisia onde bem entenderes, só quem quer, carrega-lhe nos braços, aconteça o que medir. Seremos nós, o encanto encerraste-se, assim, hoje. Como quem realmente encontra-se com o que és próximo, fiquei decepcionado, oras, é comum. Logo junto essas conjunturas e dos meus braços, as gotas vermelhas, logo será tão tarde que o cedo se dará no pretérito, foco-me em não ter. A democracia é derrotada todos os dias, nesses epicentros ego-pensantes que lapidam e encorajam a forma descarada da regressão social.