domingo, 11 de fevereiro de 2018

Dor não é texto - Nicolas Santos

Tens toda razão quando afirma que a razão não é prática, talvez isto não seja racional, nem prático, dualidade há, dualidade governa-nos. Desde o cristal no pescoço da madame, até eu que lavo o chão com suor, não, não precipitem-se, a importância está na serenidade dos olhos. Crise é pulso que se corta, superfície inundada de vermelho, de lá para cá, o pescoço espera, esperam-nos com aquele ar insólito. Arrogante. Queria eu, cuidadoso ser, ser cuidadoso, isto não se enuncia, prático a educação, nada mais. Você e teus pontos, pontos esses que tu inventa para crer que gosto de ti de uma forma que gostarias. Não mudamos ninguém, não podemos fazer isso, não é um direito nosso. Estagna-se e isso pode ser prejudicial, creio que poderia conviver com outros e receber maiores benefícios, o que também há na sombra. O problema muita das vezes está na metafísica desejante e arrogante de imagina-los, eles, elas, como queremos, como querem, resolvamos. Não queira que seus filhos sejam iguais à mim. Qualquer dor é desumana, toda dor é insana, dor não é texto, é o que tenho e despejo. Anuncia-se o descontrole, durmo no sofá mesmo, quando quero, no chão, assim a febre passa, culpo a mudança, o mudado, a mudada. Eu.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Há de encontrar - Nicolas Santos

Amor é isso, amor é aquilo, digam a verdade, vocês só querem alguém que lhes repare. A simplicidade pura é a instância mais bonita de qualquer pessoa. Difícil criticar o discurso, pois alheios ignoram o devir, atrelando-se de forma visceral a falas que também dão de ombros a lições de Kafka. Tristeza é isso e muito mais, golpe de martelo em sonâmbulo, sente quem atenta-se, de resto, só o coração para. Logo cocaína e chá. Um dia tu não vai dormir e eu acordar. O primeiro passo é olhar ao lado, sair da cama é teorema. Complexidade animada faz pensar, palavra de carinho é solução momentânea. Logo repito o seu céu, necessidade é o que move-me, o que te eleva? Só se me falar, porém o teu dizer é responsabilidade sua. Visões distintas para o mesmo fenômeno, digam o que dizem, o interesse os comanda de forma ascética e compromissada, filhos da televisão. Problema algum, o racionalismo exacerbado pode ser moeda ainda sem devolução, por tal variável, curvamo-nos a arte em estado pleno. O pragmatismo sempre antecede a novidade. Você parece apenas uma frase bonita, enquanto o povo grita. Contemplo a solidão assistida, junto dos demais, um ponto a menos. Trago vossa sinceridade, agradeço, poema é ser humano. Espero que passe, mas não é bem espera, assumo os contornos, rédeas naturais. Não passa e assumo toda culpa. Tenho medo dos teus olhos, cabelos, mãos e irritação, medo de como andas e quando o sol tenta competir contigo. Medo de tudo, teu, teu medo. Há de encontrar-se nesta imensidão borbulhante, inanimada. Plano é imediatismo remediável, é tempo, tempo come, tem fome. Há de encontrar.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Medo - Nicolas Santos

Relação de poder é entrave para dialética. Natural ter esquecido, falaste por falar, ser por ser não faz sentido, é necessária significação. As pessoas não desejam ter suas convicções, se quer, arranhadas. Logo ouvem mas não escutam, interpretam baseados naquilo que lhes apetece. Sinto que és perda de tempo, necessidade é espontaneidade, livramo-nos dos acordos e amarras em nome da santidade que é a incoerência. E na solidão as vozes tornam-se coerentes, passo ao lado, cadarço desamarrado, água quente. Nada tão gelado como o silêncio, teu. Somos caças que anseiam pelo carrasco, sorriso frágil é plano metafísico, desacordo. Desde ontem nenhum pingo a menos, o olho descolore. Está tudo bem? Deveria, dizem, se quer sabem como a semântica é cruel, articulação sem trajetória, só pensamento, focam-se na motricidade. Nada do que eu digo é, tem ou terá a pretensão de ser verdade, verdade é desonestidade intelectual, passo para a dominação, sentir falta antes da falta ser sentida. Toda raiva é pouca para cada equívoco da alma, oras, equívoco ensina, eu, mal aluno, péssimo sujeito. Quero reiterar o pedido, o sigilo, o ocorrido, o trauma, o drama, a paz, a paciência, o salto, o medo, ah, o medo. Cresce no peito, morre perto da boca.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Orquídea - Nicolas Santos

Eu imundo de problemas, lavo-me dos pés a cabeça, alma inconstante, favorável a tudo que é do devir. Sou daqui e de lá, moro em cada um. O teu problema que é só teu, vira meu, vira nosso, vira do avesso. Mas olha, veja bem, não se acanhe, gosto quando solta-se e ri descaradamente das nossas idiossincrasias, sei de menos para saber como querer. Sinto falta de lhe desejar abertamente em segredo. Pleiteio minha própria cooperação, tarefa árdua essa que nomearam, sair do colchão. Pé no chão, o gelado nos invade, dando os braços. És insegurança, não que seja problema, depende da perspectiva, ilustro isso em poemas que tu nunca descobrirá que são para ti. Problema não há, fruto da imaginação, dor dispensável, inautêntica, platônica. Deem-se as mãos, toda união é pacto, ritual, dai vem a escolha de para qual lado. Porém, não abracem-se, isso rasga a sensibilidade. Bairro é religião, entidade social.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Convite - Nicolas Santos

Tem cheiro de chuva, ingenuidade apregoar cheiro a algo metamórfico, máximas Kafkianas, agora quando noite e minha visão turva. Rua não se endireita ao passar do mais nobre peso, inseto vale o dobro, filho do instinto. Mesmo que fantasia alegórica, sentido há, sentido haverá, tela azul e nenhum renascentista dirá, é minha, é meu, seu e nosso. É de quem quiser. Nem eu me entendo e isso é para quem deseja.

domingo, 7 de janeiro de 2018

With you - Nicolas Santos

Sobre todas as coisas que preciso te dizer: Nada disto pode ser deturpado ou transfigurado, de momento, quanto a objeções futuras, não preocupe-te, a inconstância toma conta e de assalto somente as borboletas estomacais, voz inaudita é popular e rádio, rádio também é momento, disponibilidade é freguesia para com sentença imperativa, quando o cinza se dobra e cai, sorrio, não tanto, nem adequadamente, subjetivo-me, nos, subjetivo-te. Talvez não consigamos dormir, boêmia é apreciada em categorias disponibilizáveis, sol rasga o céu, rasga-me com dentes sensitivos, carta não entregue é carta eterna, preciso dizer-te que nada sei, mas saberia com você.With you - N

domingo, 17 de dezembro de 2017

O mesmo rio - Nicolas Santos

Tenho pensado muito com e sobre as pessoas, e os devaneios inconclusivos a que chego como tudo mais, são feito luz, dessas que cortam-nos de fora a fora, simplicidade magoa, simplicidade é sandália já gasta num pé recém recebido, não importam-se e logo maquinam qualquer anseio para que os dignos sejam os que comem lixo, aliás dignidade é um discurso, quem merece o quê? Não há o saber, devir é eternidade, insistem em finalizar-se e logo apregoar sentido aos terceiros, segundos, quartos, quintos, do inferno, voz inaudível é ouvida já que o sistema tem olhado-nos de forma interina e interrupta, invisivelmente, invisíveis somos todos, prestes ao sonho que é estar acordado, vida é complexidade, dualidade, dialética.