domingo, 12 de novembro de 2017

Dublin - Nicolas Santos

Tua ganância enrijece sua musculatura, postura de quem pretende a “classe.” Não sou disso, me aprofundo e afundo nas minhas próprias frases. Nem “oi”. Nem, “tchau.” “Agora”, sou atemporal. Morra, morra, morra, morra. Diante da flor ou da nuvem. O sol, não vele o sono da criança. Deixe-nos na lama. Eu sou revolta, porque quero ser. Assim não há motivo, questione o que desejas, os insetos roem os roedores, não me importo. O fracasso lhes doerá mais. Minha cama se molhou de chuva, se molhou de vida. Esse é o preço por deixar a janela aberta, talvez eu pegue um resfriado ou seja agradável. Talvez, talvez, talvez. A verdade à tona, defende-se quem honra tua própria história. Lamentam, olha o teu sono, teu sonho. Guardo a imagem da tua natureza. Origem, ironia, de par em par, agora nem tanto, estou por ai. Acalmam-se os ânimos, nem dia, nem o que há de ser classificado. Da penumbra viemos e a ela retornamos quando o retrógrado impõe-se. A única estrela do céu, lembra que é maior que tudo que há em mim, mas se tudo que há em mim também é maior do que há em cada, estanco-te.

domingo, 5 de novembro de 2017

Latitude - Nicolas Santos

Hora luz, hora câmera, hora ação. Ora luz, ora câmera, ora ação. Aos infernos e o décimo céu, justiça desfeita. Sobra-te a mentira.
Desarmado. Eu fiquei aqui, esperando, algo, alguém.Eu esperei. Não tenho muito, não tenho nada. Talvez, um cérebro que lateja, herança para esse mundo pobre e desconexo. Raramente agradeço, não há nada. Minha vida, devida e dedicada a liberdade. Também ao arrependimento. Vê se te salva por si, aproveita e olha para cá, quem sofre, sabe bem o porquê. Retornam somente de interesse em interesse, haja vento. Sobre o tempo, não muito. Sobre o tempo, não minto. Resta pouco, bem pouco, tampouco que acabou. Só dor, Nova York, Moscou. Só dor, interior, capital, só dor, só, dor. Cinco e um. Setenta e oito horas, aqui o olho não se prega, Orfeu estaria desempregado, ao invés disso. Pobre deus grego, venerado.

domingo, 29 de outubro de 2017

Paz não obtida - Nicolas Santos

Pequenos terremotos, não pretendo o reconhecimento, embora eu considere-me merecedor de tal idiossincrasia, flagelo nunca substitui-se. Desaprendo, cada dia, olham de cima à baixo e logo manuseiam a face em desfavor ao que fitaram, o usual é mais pálido, eu vou como quero. A diferença elabora-se graças a vontade. Desloca-se quem possui ou faz obter capacidade para desvincular-se de adversidades e variáveis. Não consumo o que empurram com tanta afetividade, da lua até aqui e algo mais, não tenha um poeta preferido, seja poema para alguém. Crianças chorosas. A imensidão de ser quem sou.

domingo, 22 de outubro de 2017

Desconheço - Nicolas Santos

Troco-te por qualquer pensamento evasivo e tudo permanece igual. Quem vive, sabe bem o que não faz, quem não faz. Só se vai, quem nada fica. Seriedade não passa da porta, pegue sua máscara infeliz e tape o rosto. Eu descubro, me aprofundo, me corto. Agora diga, quem é cópia? Há quem prefira o cabresto. Eu não, disso já me livrei. Ninguém me manda, ninguém te manda, você se manda, não volta. Tropeça-te, nas minhas pernas. Olha só, não olha. Eu acabo de começar o dia, esses não terminam, jamais. Minha cabeça cai, não medico-me. Febre semi-crônica, combato a tontura habitual, mantendo-me em pé. Não me assemelho com os demais, despretensão ou pretensão, demais, demais. Um fio do meu próprio cabelo, preso em minha mão, levei-o até a janela e joguei. É isso, nos livramos com maior facilidade do que é nosso. Não tema, creia no que bem entende, só entenda. A fraternidade dos corpos estendidos é sublime, salve-se quem puder. Eu sigo o incerto. Já conheci gente demais, desconheci na mesma medida.

domingo, 15 de outubro de 2017

Artéria - Nicolas Santos

Nada supera o desfavor da inundação que me causa, o presente não é apenas uma sequência de eventos, desencoraja-me este sol que sorri. Corto meu pescoço, os pulsos e as pernas, este ventilador não locomove-se e a distância não permite que eu faça ocorrer algo, nada ocorrerá. Despeço-me aos poucos. Alegaríamos certeza e assim poderiam nos considerar desafinados quanto a realidade variável, ora, não sou destes que procuram, encontre-me. Sobrevivemos a natureza, matando-a, como sobreviveremos? Solo é mais que mãe, eu avanço no sentido contrário, ramifico a desavença. Perto, muito perto de ausentar-me, francamente. Agora o vento nos inventa, eu redento o mar, o amar não, amor não. Convicção nada faz. Nada melhor que o tempo para matar o tempo, os opositores são mais fiéis que os dizem lado a lado, calma sempre é melhor que aquilo. Nem todo homem é um artista mas todo artista é apenas um homem.

domingo, 8 de outubro de 2017

Especulação - Nicolas Santos

O vento perfura meus pulmões, acabo quando tudo acaba, nasço sem coração e o ganho a cada dia. Já diria Bukowski : “Don’t try.”
Somos o acordo filosófico do fim de noite. De turno em turno, solidão é deveras influente em minha vida, é para quem escrevo. Sabemos bem onde pisamos, não são pescoços sobre vossos pés. Respire, buscam-te para conselhos e isso me estranha, és como eu, uma criança. Queres criar o que não se cria aqui, mas retifico, aqui não. Seguem nesta sujeira e se quer imaginam o quão sujo é tudo isso que os rodeia. Pobres culpados, inocência é um ponto sem destaque, sem nexo.
Sinto que não há tanto tempo, como deveria haver, na cabeça de alguns. Estes são cópias fajutas e mal arquitetadas, dispostos a matar à arte.
A febre passa, a angustia também. Ansiedade baixa e a estrada chega ao fim, passagem por paisagem. Quanto ao tempo, nada a declarar. Dão-se pelos demais. Insones, desprovidos do que lhes deveria ser essencial. Porém quem sou para dizer a alguém o que é essencial? Ninguém, nada, mais um insone. As nuvens desaparecem e o que emerge faz-se provável aos que mantem-se calmos, o desagrado é desesperador, tal seria nossa vida e morte. Mantém-se válido o desabrigo da rotina, pena que essa adoece-me.

domingo, 1 de outubro de 2017

Demons - Nicolas Santos

Gostaria de poder dizer alguma palavra ou peneirar o sol, atravessando qualquer rua em qualquer lugar. Mantenho os dois pés juntos e tristes. Limpo os olhos, fraciono a somatização e mostro as marcas do meu braço à quem se interessa, de ser por ser, em diante, para trás só tua boca. Quebro os laços, me corto com os cacos. Se não tivermos a chance de ser quem somos, em nada irá adiantar, ser quem somos. Não tenho nada aqui, para lhe dar, não tenho nada aqui ou acolá. Palavras sábias são febris, os sábios, gelados. Coração não palpita, palpite. Deixa-me aqui, quem sabe eu consiga, quero chorar. Sinceridade à flor mais feia do jardim, na minha visão, a mais colorida dos universos. Não expulso meus demônios, minhas únicas companhias.