domingo, 19 de março de 2017

E você - Nicolas Santos

O descanso dos vencedores fornece a alternativa, consagro o desconhecido e logo abandono, trouxe à ti o que era teu, dê-me mais teus olhos. Prossigamos ao que chamo de decadência, essa afunda os pés na areia do imprevisível, tempo nada é, além de ser incontrolável. Ateu sim, persigam, obrigatoriamente prefiro a decência do equilíbrio moral, o bem está em atos, não doutrinaram-me, continuo, ateu. Resultam-nos dessas conversas, ao que se desdobra em meio ao presente, seu vocabulário doce e pele quebradiça, eu me perco, há tempos. Isso é destaque, mas não torna-se essencial, dias à limpo, desconverso sobre as não conversações, guio o seu começo, término e meio. Travessia é promessa, eu descumpro, a idade do súbito sistema solar, insone e resplandecente, tantos casos a beira do pântano. Contive e já dediquei-me mais a determinados aspectos e circunstâncias, sorrisos industrializados em cima do murro, caindo da ponte. Os desdobramentos sócio-históricos apontam cada vez mais para discursos pautados num consumismo de bens e relações. A urgência delimita um espaço importante e freia outros contribuintes vitais e inerentes a vida humana, atrelem a gentileza, sem vergonha. O capitalismo destrói-se e leva consigo para um buraco de egocentrismo e megalomania uma população que desconhece estes eventos, alienados.

domingo, 12 de março de 2017

Ainda preciso de ti - Nicolas Santos

Comece a disferir teus golpes, coração amortece impacto do que é pontiagudo em brincadeiras ou não, sei que logo vagará como todos fizeram. Carregam a ignorância, essa não é fardo, pois se quer dão-se conta deste peso sobre as próprias costas. Por excelência, recluso em si, mesmo. Afastam-se nesse gesto que conheço tão bem e pouco compreendo, evita-me e eu desabo, são tantos olhos e pessoas que pedirei teu abraço. Isso não explica-se por si só, nem deveria, explico teu sonho e te alimento quando triste está, não faça isso, eu ainda preciso de você. Já perdi-te tantas vezes que não mais sei ao certo o que é por si, certo, se quiseres, eu deixo, magoarei-me profundamente, mas permito-te. Permita-me, responderá só quem dedicar-se a isso, admiro o devaneio. Hoje pela manhã, faltou-me ar, de tão mal, tive que buscá-lo por ai. Venha como vem um daqueles animais, deposite sua hipocrisia onde bem entenderes, só quem quer, carrega-lhe nos braços, aconteça o que medir. Seremos nós, o encanto encerraste-se, assim, hoje. Como quem realmente encontra-se com o que és próximo, fiquei decepcionado, oras, é comum. Logo junto essas conjunturas e dos meus braços, as gotas vermelhas, logo será tão tarde que o cedo se dará no pretérito, foco-me em não ter. A democracia é derrotada todos os dias, nesses epicentros ego-pensantes que lapidam e encorajam a forma descarada da regressão social.

domingo, 5 de março de 2017

Descanso interno - Nicolas Santos

Eu fico, nada trafega entre tais rios e riachos, a sensação descreve o poder infindável da palavra, a nobreza do homem está na memória. Sorria de lado, como gostas, de cabelo molhado frente aos métodos particulares e semi-rituais, o chão treme, daqui de longe, nada de amor. A civilização destruiu a humanidade, fica por onde desejas. Ponto final é alegria nada imperativa, sabes que o capital te servirá cabeças. Logo a tua, logo a lua, torço para as nuvens caírem em gotas, imagine o entusiasmo de quem obtém o que quer, fique e sem mentir, razão nossa. Eu nado, na tua, nada. Alimentam a indiferença e que ela faça o que deseja, livres por e em demasia, nada ameniza a dor da dor, eu sei. A enganação se mostra útil aos fúteis, mobilizaram-se frente ao palácio da ganância, lamentavelmente a humanidade não se lamenta por isso. Há sinceridade. Remover o egocentrismo da condição humana, semi-estruturamo-nos para essa tarefa, mas a consciência que discerne parece escassa e não aceita. Inflam em discursos, tento não olhar, olha quem deseja, quem quer. Minha oratória dispõe-se aos que decidem se atentar ao poder da palavra. Não contento-me, por que contentaria-me? Tudo que é esfregado na face desses, é muito pouco, a importância advém da subjetividade e apenas. Dou-te todos os direitos desse mundo, menos o que vela de expressar-me, agir. Todos, menos o direito de oprimir. Desde que tornaram-o algo. Visarei o descanso interno.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

The sky is sad, just like your eyes - Nicolas Santos

The sky is sad, just like your eyes. Gostaria de acreditar no que dizem, que sim, é possível que gostes de mim, que me olhes, mas não tenho capacidade para ser confiante assim. Por ser desmerecedor, talvez um dia tu, saibas, gosto de ti. E nestas “solidões”, despertam-me, sonolento por ventura, desbanco e quebro. Eu, pretendo, dispensam-me , agora que decorei seus olhos cor de pretérito imperfeito, mato-me em lamúrias, olha, teu nome em mãos. Depois das brigas, falta-me a voz e a vontade, penso para tomar-te por braços inconsequentes, quem sabe, ninguém nada oferece a isso. Prego a continuação, por mais que essa seja uma grande desistência, absolutamente vencido e vencedor, preparo-me com facas e foco, façam. Cada vez menos lá, cada vez menos aqui, aqui.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Próximo ao término - Nicolas Santos

Não cometo inconfidências, dou vida as convicções que possuo, de certa forma o resto não influência junto ao que estes seres torpes tentam. Peça com calma, o vento é alucinante, filho rebelde da serena mãe natureza, filosofias e adiante, comece de ti, não ostente a vã ignorância. Como não lembrar destes rostos? Fica onde nunca esteve e tem cheiro de medicação, dedico essas palavras que caem dos olhos, à ti. Sentença irremediável, calculo a sintonia do abismo, parafraseio alguns e outros recomendam o mesmo para com minha pessoa, adeus ao sonho. Atraquem a saudade, fortaleçam a corrente que prende os portões, o conservadorismo matara a todos nós. Vou-me e consigo, junto aquela janela tudo se desfaz, quando posso, descanso, nada dói mais que um coração sedentário, dinamitem. Sigo neste descompasso emocional, sinto-me um ser inútil evocado de tempos em tempos, nada mais, tudo isso, o sonho morreu aos teus dias. Ressoa nas minhas entranhas essa fração amaldiçoada, assino o pacto e selo a aventura majoritária, não imagino o possível, nem perto disso.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Raiva - Nicolas Santos

Respeito tuas invenções, mas viso esquivar-me com e em plenitude das mesmas, teu sentimento simulado é resultado de ação passada, reconheço. Sobem no palanque e deste, despejam o impensável na vossa mente, atualmente eu confirmo a desventura, sigam os rumos, muda-te se queres. A incapacidade frustra o orgulho dos que contém algum poder, pondere a respeito e me diga. Diversos erros acumulam-se contra a nossa face, os mal intencionados seguem a toda, cinco, seis e o que mais for necessário, tentem, tentem. Agora irei acumular aquelas palavras que soltas podem ter alguma intenção, se sonhares, me avise, eu te quero tanto, já sabes bem, meu bem. Não sei mais nada, a diretividade serviria para que eu descobrisse essa relação, cuja não existência alastra-se, eu quase te conheço. Distorça, eu vou-me embora, adeus. Minha presença é ausente, mesmo quando em corpo, nada desejam ou obtém, chego a conclusão, não faço a menor diferença, infelizmente. Sorriem e que sorriam, o incomodo é responsabilidade daquele que encontra-se nesse estado. Não esperem desculpas ou justificativas ao adeus. Meus braços esperam pela cruz, blasfemo e muito além, consumo o mesmo olhar de sempre, sem reciprocidade sigo, sigam, faroeste é pouco. E que não esperem mais nada. Deslavo tua alma, afinal, quem és mesmo? Conhece-me tão mal que pouco compreende minhas resignações, alastram-se as calúnias, deixo. A capacidade decide, falta-te segurança, agarre-se nisto e nos meus discos, nada é tão comum ou simples, demasiado controverso, ainda falo. Comentarei sobre a admiração, não lhe esqueci, não lhe esquecerei. Permaneço de pé. Falta vento, afeto, café e lágrimas, sequei algumas tuas hoje, nada garantirá que no futuro mais breve, faças o mesmo, fiz o que pude, cuido.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Lente de contato - Nicolas Santos

Onde vossa árvore toca a nuvem e dela faz parte, imensidão é pouco, conspira a nossa consciência, somos seres insignificantes com poder. Eu, distante, distancio, não entendo tais laços e amarras, forneço a desculpa que tanto querem, um estomago cheio d'água e a cabeça com dor, triste aqui. Preocupam-se sem ação, mover-se é liberdade, a domesticação segue formando seres que não possuem a capacidade do discernimento, morrem em pé. O discurso já é algo, água falta, chove muito quando se é jovem, eu prático a dialética, recebam de mim o que necessito de vocês, fico aqui. Imprudência é necessidade escalafobética, em suma, apenas. Eu discuto a maneira do sonho, tenho sono e só, somente solidão e só, sonho. Hoje não quero quaisquer ação advocada por uma sã razão, tendo a preguiça, isto sou, em partes, participo da mão que não estapeia o digno. Queira a minha opinião também, liberdade há, aos sonhos ventilados, ninguém comporta-se de forma semelhante em ambientes distintos, digo. Sou aleatório, não se queixe. Pronto, as arestas são aparadas, desconta em ti toda acidez que produz fracassos escolares e artísticos, o mundo é um lugar que me dói. Aqueço a sentença, é voz faminta e pano a venda, vendam-te com esses processos e calunias, compro seu corpo e boca, resisto, entrego. Vaiem. Contrario a previsão, sou sol a noite e chuva quente, lágrimas redentoras e ninguém se importa, digo e conduzo, as armas estão no pátio. Traduzo a amnésia coletiva, escolha e eu não colocarei um dedo nisto, prefiro feridas que propõem-se como amigas de determinado estiletes.