domingo, 10 de setembro de 2017

Vinte e poucos anos - Nicolas Santos

A angústia redentora combate o polo que equivoca futuras provocações, aprende quem dispõe-se, lanço de antemão certas condições, logo, mudo. Não tenho falado com ninguém, não sou procurado, requisitado para isto. Os incrédulos noticiam com toda sua voracidade, atingem à quem? Nasce em cada rua, uma história que logo morre no cruzamento, acimentado. Sei lá, esquece. Conheço hoje, amanhã não sei quem serás, nem quem serei. Conheço hoje e essa unanimidade desastrosa da relação convida ao fracasso total. Supera-te e não esperas nada de mim, não fico por muito tempo, ouça o que o vento é impedido de dizer, silêncio. Antes era novidade, antes. Então a juventude é só isso, tudo isto e menos. Tu é só isso, desprezível, eu, pior. Agora e de novo, angustio-me só por vislumbrar estas possibilidades que por enquanto, encontram-se apenas no mundo inteligível, tanto faz. Hoje ressoam manchas neste céu que tem acostumado-se a nos rasgar de ponta a ponta, eu ainda durmo, preciso de café e algo mais, só tem café. Invento na hora, palavra, medo ou disposição, depende do momento e de outros quinhentos, a esquerda tudo que posso ver, além da toxoplasmose. Eu tomo veneno no almoço.

domingo, 3 de setembro de 2017

Para quem não tem como - Nicolas Santos

Fica, faz minha febre passar, estes teus olhos semi-francos. Verdes, castanhos, tanto faz, olho mais sua boca do que meus pés. A indecência libertará a todos nós. Atirar na própria orelha, pular do décimo oitavo andar, afogar-se na pia, desatar o banco com a corda no pescoço, cortar-se, apaixonar-se. Alego inocência por toda a culpa que carrego e divago, meu cansaço é físico, sentimental. Os homens se desmoronam na pureza do egoísmo. Não minta, isso é desnecessário, isso é desnecessário, reconheço apenas o que desejo e odeio diversos, errado ou não, costumo odiar. Buracos da alma. Não me acorde, farei o mesmo por ti. Infecção é não concretizar o mais simples que nos pareça, disse que viria. Não há de quê, não veio, disse o que quis e eu sem nada, por ai. Deixe-me bem com essa tristeza, essa maldita e atormentadora, tristeza. O que seria o amor ? Apoiar-se de forma cega até o desperte para tudo, tudo que se parecia ignorar em troca de favores emocionais? Poderia aqui, fazer disso mais um motivo, não saberia bem qual, francamente, quero escrever, quero dormir, quero muito dormir. Preciso que alguém quebre meu coração.

domingo, 27 de agosto de 2017

Três e trinta e oito - Nicolas Santos

Ameaçaram-me com uma cela, quebrei-a. Com mordaças, rasguei-as. Ameaçaram-me com dores inumanas, sou demônio. Ameaçaram-me com o céu, cético.
Desencontro, casualidade pontual. Sem óculos sou o mais cego dos seres vivos e ainda teimo de forçar a vista, ela passa, acompanhada, refaço. És melhor ao natural, tanto faz o que usa. Desde a eternidade, estamos descalços sobre a ignorância. És melhor, quando o sol desvia tua boca. Cresce teu sono, tua angústia. Minha dor, incurável, incansável. Face a face, branda tua cara no travesseiro, no meu peito. Mentira tua, mentira minha, eles todos, um caos mais ou menos organizado, elas todas, sobrancelhas ao chão. Quem nada vê, oceano fica.
É isso, vou me despedindo. Para quem sabe que isso é uma despedida e o porquê. É isso, quando terminar, quero o verde. Me despeço aos poucos. Só não esqueça, eu já esqueci, não foi assim tão difícil, tanto que me lembro com facilidade. Por vez, nem o tempo, nem a cidade, saudade.

domingo, 20 de agosto de 2017

Tudo bem - Nicolas Santos

Qualquer língua presa, qualquer corte na horizontal. Simpatizam com a pilha de roupas e qualquer outra dessas merdas não condenadas, coordenadas. Há de ser assim, como se é, no meu quarto amanhece-se quando noite, anoitece quando dia. Solidão vem e passa, vem e fica, solidão dedica, delito, deito. Buda para quem quer, aliás, um dia há de convir, saberes meu nome. Os insanos por ai, cosmovisões e nenhuma pressa. O mundo lhe dá as boas vindas, para depois lhe sugar os nutrientes.

domingo, 13 de agosto de 2017

Iceberg - Nicolas Santos

Praticam a indesejável arte do domínio, eu explicito em palavras o que é de minha necessidade, não com qualquer propósito de ser entendido. Retornos são variações do presente, passa-te com o amor que ainda acredita, resolves a indagação do término, ele por ti, eu com ninguém. Concorda, sobre isto, tuas roupas manchadas de suor, eu vendo sua iniciativa e comparo qualquer término ao último, propositalmente. Volta-se a normalidade e pré-indica a situação corrente, remonto a força do horror, depressa, depreda. Efeitos colaterais e um pouco menos. Oprimem, quem consegue observar toda a liberdade contempla de presente as sanções e controversas da mesma. Apropriem-se da critica. Desconfio, desconverso, não importa, realmente. Há quem já foi e quem parto por não partir, sou tudo que não se faz de um dia ao outro. Não apresentem-me a este nome, classifico o indesejado e o inesperado, o ar puro da cidade é denso em meus pulmões, sinto tanto por isto. Pacificidade é prolífica, desço qualquer escada até o poço, deixam, deixaram, quem depende fica a mercê do inclassificável, classificaram-se. Tu que tem medo de entrar em alguma embarcação furada. Logo aviso, sou iceberg.

domingo, 6 de agosto de 2017

Sun - Nicolas Santos

Sempre isto, as mesmas declarações, as mesmas faces e projeções, a mesmice aniquila o subjetivo, desanima o motivado e atraca instintos. Aqui, sem vínculos, chamem de amarras ou aquilo que desejarem, sem vínculos, o ser está onde deseja, corpos frequentam o cotidiano reduzido. Dos pesares, pesam as comparações, antigamente vive atualmente, abraços e traços de um rosto que ainda aprende a sorrir, sinceridade resta. Se preferires o contato por delongas inúteis, estarei apostos, combatente que se restringe ao jamais, possessão leva os homens ao mar da rua. Vença quem vencer, todos já perdemos, deem-nos as batatas. É isso, foi sempre, escorre de mãos inescrupulosas, a terra média retorna e os carrascos pensam deter a razão, desmitificam a utopia. Digam o que lhes for necessário, essa é a significação, som alto, voz inaudível. O mundo é um lugar desamistoso, corram, eu não me importo. Tanto tempo e faz, tanto nada e fez. Fixaste os olhos no desumano, tornou-se essa alegoria. Agora mudas como quem muda de endereço. Eu fico. Já não me lamento por posturas alheias, eu vejo o sol nascer de uma cama desorganizada, a culpa é um meio inconsequente de ser irresponsável. E eu que não tenho sono, procuro dormir para curar a ressaca de estar bem disposto, resulte no que resultar, já estou na história. Aqui ninguém me conhece, para que conhecer ? Desbravar a alma humana é tarefa que não se faz por sã consciência. Amor, nada para nada. Não procuro, sou aquele cara no fundo da sala.

domingo, 30 de julho de 2017

Todo o peso do mundo nos teus dedos leves - Nicolas Santos

Suporto o que há de suportar-se por teus leves sorrisos, contagiante mesmo é a atração, afinco a mão em pedras e transmito doenças. Eu os conheço, quem deveria? Ataques magnéticos e a frieza, não sinto de forma recíproca, sentinelas da manhã, jamais durmo, jamais. Para quem deves gratidão, no caso de algum caso, estou disposto a receber, não peço, isso não nasce comodamente entre jardins e jardineiras. Desloco a iniciação, contemplo o tempo que anota em suas linhas o plano mais cruel já inventado, enterra-se os pés na areia, abranjo. Meu rosto não deve ser colocado em qualquer catalogo, parede ou fotografia, ainda sim, presumem, venha. Esquivo com mãos doloridas e frias. Adormecem de forma prévia, comunico-me desastrosamente com qualquer atração festiva ou humana em charme, ela é assim e não vejo vantagens. Enamorem a hipocrisia.