domingo, 18 de junho de 2017

Sexta-feira - Nicolas Santos

Cheiro a isto e todo o resto, atualidade é segundo imediato, tuas utopias atravessam o caminho e esbarram no ultra-romantismo passado. Os homens criam mecanismos para se auto-decapitar em praças, hoje, televisionadas, escravos da lei que escreveram, escravos do capital. Dizem-me do meu passado, irredutível, esqueço e a prova, sou posto a prova, não irão cessar meus deveres, de troco, recebo todos os direitos. Ao léu, amanhã mais ideias. Frases distantes do racional, equalizar um sujeito invisível em presença constante, parece-me perturbador, balizem a chuva, eu a temo. As coisas estão deturpadas, quando olho de uma forma mais demasiada humana. Os valores pessoais estão completamente pautados no capital. A burguesia entrou numa bolha de ego, assisto a isso com nojo, esses parasitas locomovendo-se para todos os lados, norteando o desastre. Navegando neste mar de ácido, amor inerente é inexistência prática, nada tão comum, sou Robinson Crusoé.

domingo, 11 de junho de 2017

Breve - Nicolas Santos

Irritantemente calmo, ela me dizia, era isto ou aquilo, nunca uma somatória, se seu tempo passa, eu passo igualmente, relativizaram. Agradeço a chuva, mas paro nisto, nada mais a declarar sobre qualquer objeto ou pessoa, olhei-te por quase duas vidas, quem verá? Sem reciprocidade, teus cabelos caiam sobre os ombros, negros em demasia, tinha na cara, a cara de quem chorou com algo de Dostoiévski. A importância da admiração conclui-se em si mesma, vou te dizimar, segunda abaixo de segunda. Experimente a desinformação, talvez lhe caiba. Esgotado sentimentalmente. E o céu chorou, como a admiração perpetuou-se, visaremos superar a dor, agora embutida em nossos passos. Nada é tão estranho assim. Somam-se as percas, querem me dopar, eu resisto, não contraponho teus detalhes e o grave da voz daquelas pessoas murmurando, eu não quero. Se quiseres, lhe estendo a mão, até em colo, sirvo teu café, mas pense mais, ninguém fica consigo, apesar dos pesares, pese contra mim. Enquanto ressoarem, haverá quem possa substituir-me, eu preciso do teu abraço gelado, sua pele cheira a meu passado, onde tudo era bom.

domingo, 4 de junho de 2017

14 de dezembro - Nicolas Santos

Dizem que vira poesia, disso não sei, discordo tanto das palavras entalhadas a mão, como das máquinas que juntam o pó da humanidade. Há tanto o que se fazer mas hoje permitirei-me não realizar indagações clássicas, deixo o sonho, diria-te, faças o que queres, reafirmo. Comando com mãos firmes, olha tuas escolhas e não sustente o insustentável, acredite que és livre para fugir do determinismo mecanicista. Desacredito destas vertentes e vento, afetação faz parte disto, não sei até que ponto, quando parto, volto ao final, és todo o começo. Pode aproximar-se, chuva faz chovermos, pode aproximar-se, não só quando há companhias de seu grado, entortemos a designação passada. Quero saber se agora tens quem lhe tratava, como eu, reles protótipo de poeta, tratava, tens? Esperarei que implores, fico por aqui.

domingo, 28 de maio de 2017

Ilha - Nicolas Santos

Deixemos fluir, assim como as ondas inesgotáveis que morrem na beira da praia, desculpar-se é a covardia mais gentil existente. Energiza-te das palavras pontiagudas ditadas em cadernos de um e noventa e nove, esquina tem essência, prender-se é ilegalidade moral. Usa do teu singular até nos plurais, não que eu aprove, crescerá demais, hoje não olha, sente desconfiança, hoje não, olha, empatemos o fim. Nem responda, foi sem adeus, adeus agora não faz diferença, diferença não se faz em qualquer centro, balizo as palavras e as delimito. É tudo da lei, embora não permitam que tomem ciência disto, padronizam, domesticam, empobrecem-os intelectualmente com lixos capitais, permito-me. Agora, ileso, rastejo-me até a porta da condução, condizem em nome do santo caos, ficas, eu agora sei, nunca fui eu, nunca serei. Atinge a raios de quilômetros, nãos nos entendem, salvo exceções e continuo do mesmo jeito. Um esboço de sorriso vale mais que a mão ao léu. Eu fico se pedem, talvez, ficasse, não pediu. Faz de quem sonha o elo mais fraco, a corda dorme sonhando ser útil, assim como a nossa faca. Organizam em semi-ilusão, permaneço no silêncio das palavras que podem saltar e tomar de assalto qualquer um, ela olha para outro, ela disse. Na relva, selva, selvagem racional, do alto dos edifícios corpos já sem vida recebendo o álibi, eu namoro poesia.

domingo, 21 de maio de 2017

E eu sou isso tudo que não dizem por ai - Nicolas Santos

Eu sou chuva. Eu sou vento. Eu sou o sabor da frustração, para quem desconhece o gosto da própria alma. Eu sou sincero. Eu sou problema.
Agora é muito pouco, mesmo que os anos distanciem-nos, tens aquele rosto que para o coração dos mais apáticos, sigo rumando sem expectativas. Você merece isso, não sei bem, sorri timidamente e o frio lhe toma conta, daria-te o que pedisses, não irá pedir e tudo acabará, sem começo. Um dia a coragem me permitirá. Olha, é comum, sou assim, logo o interesse veemente e depois o esquecimento total, por hora, você em meus quase sonhos, atentando-me. Acaso não fizeres mais sentido à ti, recorra a outra ilusão. Já sei me virar e ei de adequar o silêncio para que ele caiba neste quarto sujo. O frio faz parte e eu não abro a boca, só queria beijar-te e num abraço desaguar vinte e um anos de dor, o céu é cinza demais atualmente. Isolado, incontável e dedicado a numérica arte de ser abstrato, considero tudo ao redor e o que difama minha anunciação, sou menos que mais. Recorrem as imagens que comumente geram aversão e eu nada, deve ser essa onda que me invade e faz com que de cada pensamento te traga perto. Estás longe em demasia. Sou paradoxo demais para que eu mesmo me compreenda, fico e nada mais sei sobre o que deveria saber, quero o que não se quer, paz finda. E eu sou isso tudo que não dizem por ai.

domingo, 14 de maio de 2017

Elevador - Nicolas Santos

Não atribuo a quaisquer, meus fracassos e muito menos os devaneios produtivos, essa consciência produzida junto a escolha, perpetua-se. Viso entender o decorrer e as definições atuais, transcrevo da pele e do olho o ódio que transita nas mentes humanas, não associo o temporal. De príncipe nada, nobreza não faz jus a minha viralatice, meu modus operandi despojado e desleixado, sou profeta sujo e de tênis aos rasgos. O ultimo suspiro, o elevador. Saudade, saudade há, de quando entendia-me e disso fazia um privilégio, era atenção e um pouco de blues feito na sarjeta, era tudo que tinha. Não espero que fiquem ou qualquer outra função, sinceridade basta e disso construo para onde vou, cinco meses e navegantes, onde morro ? Incompetência não é mérito, diminua-te para que caibas neste paradigma que eles alopram, diminuir-se é conformismo e isso me traz ódio.

domingo, 7 de maio de 2017

Engenheiros do Hawaii - Nicolas Santos

Por tanta raiva, joguei-me junto a qualquer desinteresse, naquele lugar de escuridão, não havia fresta para a luz da suma consciência. O valor da necessidade sabota-nos frente a comodidade básica, já que mascaram a inautenticidade, munidos dessas mascaras e mais. Aqui só toca Engenheiros do Hawaii, sente ao meu lado e aproveite as poesias infames do universo, logo dirão que temos medo do medo. Consideram o movimento empático, paralisia sonhada, receio que eles tenham razão, aliás, sempre soube, disso receio não se tira, acredite. Nada mais, supor é fácil. Estarei ao mesmo tempo que fica nessa sala, permaneço impermeável a sua contribuição escassa, o material não é didático quando consumido. Não mais funciona, a revelação segue de cima a lado, inconstante, minha cosmovisão alarga-se a cada ato, segundo é hora em vida não saudável. Quando o vento te rasgar o rosto, responda com educação, mesmo que a natureza vos condene, estaremos aptos a devolver os princípios da arte. A violência, amiga. Amigo, a violência, nada é tão pontiagudo quanto as palavras semi-sinceras e direcionadas, vou me despedindo. Eu te amo.