domingo, 13 de agosto de 2017

Iceberg - Nicolas Santos

Praticam a indesejável arte do domínio, eu explicito em palavras o que é de minha necessidade, não com qualquer propósito de ser entendido. Retornos são variações do presente, passa-te com o amor que ainda acredita, resolves a indagação do término, ele por ti, eu com ninguém. Concorda, sobre isto, tuas roupas manchadas de suor, eu vendo sua iniciativa e comparo qualquer término ao último, propositalmente. Volta-se a normalidade e pré-indica a situação corrente, remonto a força do horror, depressa, depreda. Efeitos colaterais e um pouco menos. Oprimem, quem consegue observar toda a liberdade contempla de presente as sanções e controversas da mesma. Apropriem-se da critica. Desconfio, desconverso, não importa, realmente. Há quem já foi e quem parto por não partir, sou tudo que não se faz de um dia ao outro. Não apresentem-me a este nome, classifico o indesejado e o inesperado, o ar puro da cidade é denso em meus pulmões, sinto tanto por isto. Pacificidade é prolífica, desço qualquer escada até o poço, deixam, deixaram, quem depende fica a mercê do inclassificável, classificaram-se. Tu que tem medo de entrar em alguma embarcação furada. Logo aviso, sou iceberg.

domingo, 6 de agosto de 2017

Sun - Nicolas Santos

Sempre isto, as mesmas declarações, as mesmas faces e projeções, a mesmice aniquila o subjetivo, desanima o motivado e atraca instintos. Aqui, sem vínculos, chamem de amarras ou aquilo que desejarem, sem vínculos, o ser está onde deseja, corpos frequentam o cotidiano reduzido. Dos pesares, pesam as comparações, antigamente vive atualmente, abraços e traços de um rosto que ainda aprende a sorrir, sinceridade resta. Se preferires o contato por delongas inúteis, estarei apostos, combatente que se restringe ao jamais, possessão leva os homens ao mar da rua. Vença quem vencer, todos já perdemos, deem-nos as batatas. É isso, foi sempre, escorre de mãos inescrupulosas, a terra média retorna e os carrascos pensam deter a razão, desmitificam a utopia. Digam o que lhes for necessário, essa é a significação, som alto, voz inaudível. O mundo é um lugar desamistoso, corram, eu não me importo. Tanto tempo e faz, tanto nada e fez. Fixaste os olhos no desumano, tornou-se essa alegoria. Agora mudas como quem muda de endereço. Eu fico. Já não me lamento por posturas alheias, eu vejo o sol nascer de uma cama desorganizada, a culpa é um meio inconsequente de ser irresponsável. E eu que não tenho sono, procuro dormir para curar a ressaca de estar bem disposto, resulte no que resultar, já estou na história. Aqui ninguém me conhece, para que conhecer ? Desbravar a alma humana é tarefa que não se faz por sã consciência. Amor, nada para nada. Não procuro, sou aquele cara no fundo da sala.

domingo, 30 de julho de 2017

Todo o peso do mundo nos teus dedos leves - Nicolas Santos

Suporto o que há de suportar-se por teus leves sorrisos, contagiante mesmo é a atração, afinco a mão em pedras e transmito doenças. Eu os conheço, quem deveria? Ataques magnéticos e a frieza, não sinto de forma recíproca, sentinelas da manhã, jamais durmo, jamais. Para quem deves gratidão, no caso de algum caso, estou disposto a receber, não peço, isso não nasce comodamente entre jardins e jardineiras. Desloco a iniciação, contemplo o tempo que anota em suas linhas o plano mais cruel já inventado, enterra-se os pés na areia, abranjo. Meu rosto não deve ser colocado em qualquer catalogo, parede ou fotografia, ainda sim, presumem, venha. Esquivo com mãos doloridas e frias. Adormecem de forma prévia, comunico-me desastrosamente com qualquer atração festiva ou humana em charme, ela é assim e não vejo vantagens. Enamorem a hipocrisia.

domingo, 23 de julho de 2017

Desconsidere - Nicolas Santos

O interior é só uma miniatura de qualquer metrópole, carros em demasia, pessoas vazias, etc, etc. Deveras quem só por interesse locomove-se, interessar-se por tantos e depois, desinteressar-se na mesma proporção. Protegem o próprio pensamento, já que para quem devaneia, tudo está em seu lugar, ligam-se os pontos e o verso só vira do avesso em noite. Muito vento, pouco vento, pouca chuva, qualquer chuva. Veneno para quem toma tento, eu admiro a sua língua. Planejo sem planejar, mentiras. Atordoa-me teu choro, desumano é quem pratica o sacrifício de não ser quem pode-se ser, eu sou isto, muito menos e muito mais, isto mesmo. Eu queria ouvir da sua boca ferida que pretenderia ver-me não apenas em devaneios inauditos que se quer são, inexiste, qualquer esperança. Se quer lembro, foram horas, horas, semanas, meses, meses. Atravesso a megalomania que é o pertencimento, lamento sua conjuntura à dois. Descompense o agrado, sentido não faremos e ao menos haverá sinceridade, agradar nada mais é que descompromissar-se com o presente. O que cria-se é tão inatural como quem permite, eu fraco, fortaleço minhas críticas para que os demais não ressaltem sobre vossas cabeças. Abomina-se a desastrosa legalidade, corta quem quer, dos sonhos agridoces à mentira nomeada realidade. Eu quebro quando e sem ti. Traumatizam-me os braços, as pernas, nem mesmo a passagem de um dia, de uma era, alternará isto. Doem inconstância, mesmo que paradoxalmente. Desista quem desistir, estarei de pé. Mantenha-se em contato com aquilo que tens por si, saberás que nada que diz é realmente importante, nada é, desconsidere tudo, tudo.

domingo, 16 de julho de 2017

O telefone não toca - Nicolas Santos

Cinco é cedo, desde semana passada. Controlo a metafísica em perturbações incolores. Passei três meses em duas horas. Ora, ora, ora. Descuido é infâmia famigerada, eu sou só, diga o que tanto pretendes, isso não mudará qualquer condição. Tu com seus olhos, eu e a dor. O passado retorna como água na ferida, poderás servir-te da angústia que conduz frente ao seu próprio e maldito nome. O cansaço é amor em estado sólido, fatalidades para quem dispõe-se, nossa casa comemora o inexistente sonho, desviam-se em sequência. São golpes rasteiros que otimizam e reacendem toda sentença derradeira, jogo-me em qualquer cama, canto, lama. Abomino o clima e todo resto. Perco tudo e me perco, não tenho mais cabeça para quaisquer aleatoriedade vagal, abrem-se os olhos, abram-te os olhos, quero-te aqui. Retorno.

domingo, 9 de julho de 2017

Admiração - Nicolas Santos

Elogios nada mais são que uma forma semi-medieval de saciar o ego alheio, esperando como devolutiva uma ideia igualmente “vantajosa”. Alegram-se com quaisquer merda puramente burocrática, demagogia nos pulmões, seres habituados ao convívio intenso com a arte opaca. O sol me desfaz, só, me desfaço, espero que não atribuam qualquer responsabilidade já que desde outrora, sirvo futilmente, desinteressem-se. Olhos, olhares, nunca viram, talvez seja, isso não incomoda como antes, perdoarei a distância, leva quem se deixa. Tudo segue vazio no vazio. Impacientemente descontente, flerto com qualquer flerte. Enfim, consumo o término de minhas frases com propósitos descabidos, ajo naturalmente, tragicamente. Sabes bem por onde vai, se vá. Desejar é impróprio, como tudo foi e há de ser, o ventilador cavalga nos próprios mecanismos, os homens não sabem de nada e se quer sabem. Favoreceram a iniciativa, garanto com mãos suadas e geladas o teu sonho de ser admirada, fica ainda mais bela quando desconhece preocupação. Trato desta solidão com injeções de desânimo, faço o que bem quero, coloco o tapete na janela e desbravo o já desbravado, anuncio quedas.

domingo, 2 de julho de 2017

Jardinagem - Nicolas Santos

É estar onde não se quer e ainda sim, ser convencido a ficar, teus pensamentos valem, massifico a noção da suposição, atraco o valor da boca. Diga o que queres, compreenda o poder que há em suas mãos, renuncio todos os meus problemas quando de frente para teus olhos de calma. Troca-me, Aluga-me ou venda, Disso não preciso, bem menos anseio. Por favor, não me olhe. Desconto com incerteza, provoco o inevitável e atiro maldições em minha própria alegoria sonâmbula, ninguém compreende, tire o que quiser. Olhos rasos, salve-se, tráfego com mãos atadas, pés descalços e importância nula, sabedoria não compra ouro, fabrico o que necessito. Decida o que é importante, da minha tristeza, cuido eu.