domingo, 23 de julho de 2017

Desconsidere - Nicolas Santos

O interior é só uma miniatura de qualquer metrópole, carros em demasia, pessoas vazias, etc, etc. Deveras quem só por interesse locomove-se, interessar-se por tantos e depois, desinteressar-se na mesma proporção. Protegem o próprio pensamento, já que para quem devaneia, tudo está em seu lugar, ligam-se os pontos e o verso só vira do avesso em noite. Muito vento, pouco vento, pouca chuva, qualquer chuva. Veneno para quem toma tento, eu admiro a sua língua. Planejo sem planejar, mentiras. Atordoa-me teu choro, desumano é quem pratica o sacrifício de não ser quem pode-se ser, eu sou isto, muito menos e muito mais, isto mesmo. Eu queria ouvir da sua boca ferida que pretenderia ver-me não apenas em devaneios inauditos que se quer são, inexiste, qualquer esperança. Se quer lembro, foram horas, horas, semanas, meses, meses. Atravesso a megalomania que é o pertencimento, lamento sua conjuntura à dois. Descompense o agrado, sentido não faremos e ao menos haverá sinceridade, agradar nada mais é que descompromissar-se com o presente. O que cria-se é tão inatural como quem permite, eu fraco, fortaleço minhas críticas para que os demais não ressaltem sobre vossas cabeças. Abomina-se a desastrosa legalidade, corta quem quer, dos sonhos agridoces à mentira nomeada realidade. Eu quebro quando e sem ti. Traumatizam-me os braços, as pernas, nem mesmo a passagem de um dia, de uma era, alternará isto. Doem inconstância, mesmo que paradoxalmente. Desista quem desistir, estarei de pé. Mantenha-se em contato com aquilo que tens por si, saberás que nada que diz é realmente importante, nada é, desconsidere tudo, tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário