domingo, 9 de julho de 2017

Admiração - Nicolas Santos

Elogios nada mais são que uma forma semi-medieval de saciar o ego alheio, esperando como devolutiva uma ideia igualmente “vantajosa”. Alegram-se com quaisquer merda puramente burocrática, demagogia nos pulmões, seres habituados ao convívio intenso com a arte opaca. O sol me desfaz, só, me desfaço, espero que não atribuam qualquer responsabilidade já que desde outrora, sirvo futilmente, desinteressem-se. Olhos, olhares, nunca viram, talvez seja, isso não incomoda como antes, perdoarei a distância, leva quem se deixa. Tudo segue vazio no vazio. Impacientemente descontente, flerto com qualquer flerte. Enfim, consumo o término de minhas frases com propósitos descabidos, ajo naturalmente, tragicamente. Sabes bem por onde vai, se vá. Desejar é impróprio, como tudo foi e há de ser, o ventilador cavalga nos próprios mecanismos, os homens não sabem de nada e se quer sabem. Favoreceram a iniciativa, garanto com mãos suadas e geladas o teu sonho de ser admirada, fica ainda mais bela quando desconhece preocupação. Trato desta solidão com injeções de desânimo, faço o que bem quero, coloco o tapete na janela e desbravo o já desbravado, anuncio quedas.

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