domingo, 11 de junho de 2017

Breve - Nicolas Santos

Irritantemente calmo, ela me dizia, era isto ou aquilo, nunca uma somatória, se seu tempo passa, eu passo igualmente, relativizaram. Agradeço a chuva, mas paro nisto, nada mais a declarar sobre qualquer objeto ou pessoa, olhei-te por quase duas vidas, quem verá? Sem reciprocidade, teus cabelos caiam sobre os ombros, negros em demasia, tinha na cara, a cara de quem chorou com algo de Dostoiévski. A importância da admiração conclui-se em si mesma, vou te dizimar, segunda abaixo de segunda. Experimente a desinformação, talvez lhe caiba. Esgotado sentimentalmente. E o céu chorou, como a admiração perpetuou-se, visaremos superar a dor, agora embutida em nossos passos. Nada é tão estranho assim. Somam-se as percas, querem me dopar, eu resisto, não contraponho teus detalhes e o grave da voz daquelas pessoas murmurando, eu não quero. Se quiseres, lhe estendo a mão, até em colo, sirvo teu café, mas pense mais, ninguém fica consigo, apesar dos pesares, pese contra mim. Enquanto ressoarem, haverá quem possa substituir-me, eu preciso do teu abraço gelado, sua pele cheira a meu passado, onde tudo era bom.

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