domingo, 25 de setembro de 2016

Não - Nicolas Santos

Ela me disse : - Não.
Quando vê já foi, e eu ? Eu, nada, alegria é celeste, Júpiter faz lá suas visitas, quem tem tempo traz o que aprecia, este não é o problema. Já foi, fiquei doente, bronquite, paixonite, frasista. Mentirosa, és mentirosa, ninguém fica, ninguém ficou, já fiquei doente de tantas e só. Aparecem, aparecerão, ninguém me convida para qualquer conversa, convidem. Eu divido, movimentos de lado a lado, eu não quero lacrimejar. Qualquer critica deixa qualquer um, ofendido, coloque as mãos na cabeça, eu atiro mesmo, de qualquer modo não nos daremos em ruas claras. Quando teu cansaço se torna algo mais, uma desventura em série, dez páginas para cá e um arquétipo de garoto perdido. Sou sombra, adeus. Por favor, não insista, sou contrapartida de tiro rápido, o verde vai se esbranquiçando, no relento para o relento, tuas margens asfaltadas. Dez e meia, dez em ponto, ponto para quem lê, infernizo, não diga que importa-se, sei que ninguém importa-se, importa-te, contigo e enfim. A multidão me engoliu, a multidão me venceu. Reflexo se propaga por ai, descontraídos contraem-se na informação da massa, que caiam os raios, que retorne a chuva, eles se quer sabem. Eu prosseguia recitando aquele velho mantra, alucinadamente, é a vida, é a vida, é a vida. Reclamem, é da noite, testem a validade, vale. Lavo as mãos, saúdo o frio, lastima é lastima, tenho feito o que posso e o que não devo, sangrias coaguladas, nenhum acorde a mais, nenhum. Que o cosmos lhe seja bom.

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