domingo, 18 de setembro de 2016

Flores não sabem morrer - Nicolas Santos

Caso não fosse a amnésia passageira e o meu humor independente. Sacrifiquem seus dogmas, existe quem explica o inverno sem superstição. Os ressentidos prosseguem a estragar o universo, manuais para quem precisa, ataque para quem é da linha de frente, flores não sabem morrer. A doença nasceu, isso é o que a terra procriou, não creia em nada a não ser que temos de não crer em nada, continuem. Eu cheiro a morte dos que padeceram, cheiro à flores de outono e um café frio largado sobre a mesa de um bar dos anos cinquenta, franqueza. Por favor, não me diga que seu rosto está gelado sem a intenção de querer encostá-lo em mim, num beijo semi-apaixonado que faz sangrar. Protesto é protesto, acodem em listagem, saudamos o pandemônio que se instala em pessoas fundadas, eu nasci para a discórdia, desistam. Foi como se vai, sem olhar para trás ou algo que se assemelhe a isso, vai quem pode, fica quem nada deve, eu ainda sinto falta de algo. Sonoridade extravagante, converso com um ou dois, sobre uma ou duas coisas, chego a queda e por lá mesmo, permaneço em mim, em pé, em si. Deveras eu, produzir mais, acalentar sem pestanejar e sacudir as meias antes de colocá-las nos pés, deveras eu, porém espero que carreguem. Devo ter um desses papéis que costumo levar no bolso, em outro lugar, esquecido e quiçá dobrado em um futuro realmente importante, não sei. Lhe diagnosticaram, muda a face e o que deseja, o desejado simula a fórmula dos ditos saudáveis, vencemos a noite e agora o sangue na boca. Qual solidão grita-te ? Comensuro a saudade de estar com quem poderia. Não posso e isso já chega ao seu limite, setembro é uma certeza. Autorizem-nos, responsabilidades já temos e não a desviamos para qualquer calha cheia de folhagem. Eu começo aqui, comece quando necessário. Interpretem o interprete e o íntegro, padece a falta de moradia, morais nada são para quem é humano de verdade, os sons dirão, rapidamente. Cansado dessas pessoas, desses pesos.

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