domingo, 21 de agosto de 2016

Um dos últimos - Nicolas Santos

Pois em nosso sangue, garra, isso não falta e não faltará, ainda que a ternura nos eleve, somos o que devemos, reciprocidade as vezes. Renunciam e ficam as margens de qualquer doutrina, adoram o invisível, prontos para sofrer em nomo do santo, do céu, de si e nada menos. Dizem e eu discordo, mas acontece o que acontece, gestos de carinho valem mais que a estética da prata, do nome e da forma, vale em demasia. Mas hoje, mais hoje. Passou, passa e retorna. Sonho com o que não sonham. Imagino o desastre, vivo de poema. Alugo a forma, as fórmulas e o desaforo que prossegue na natureza dúbia da solidão, quem cala, faz por bem querer, quem consente é alugado. Não fica assim como não queres ficar, não obtenho atenção de quem pretendo obter, sigo informal, sou do submundo e faço dele o ponto. Com tuas respostas, formulo o escudo, na escuridão quem brilha é santificado. Eu, sem fome de terra, como o que fica sobre a mesa de centro. Sonhos são uma fonte inesgotável de absurdos. Condiz com tudo que nem se quer cito, sente e espere, errar é tão desumano que tornou-se comum, a arte é o exemplo, barulho a todos nós. Olha, faça o que anseias, admiro-te sem que saibas, sem que eu saiba, planos para o sábado retrasado, fico a disposição dos inconformados. Sangra a pátria mãe, sangramos. Sei bem o que digo, faça da sua contestação, argumento, de infundado já basta todo o resto, agora que mudas pensa saber, desiluda-se. Vou-me indo, ficando, do jeito que posso e não quero, sobreviver é desmedido aos sintomas que suavizam a forma que me afundo, normas ? Não seja precipitada, pouco sabes, suposições tem um quê de leviandade.

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