domingo, 3 de janeiro de 2016

Misantropia - Nicolas Santos

Olhe só, veja você, que tragédia. De tanto chão para andar, esbarro na inevitável ilusão, pobre de mim que nem tão pobre sou assim, pobre de mim, esse tempo meio tempestade, meio tempo sem vontade, ausência é quando vens e entrelaça, eu queria repor, sou tão pouco que logo condeno tudo, haja sinceridade, nauseante a náusea que se deu, dê-se. De graça. Ora, isso não se pede, isso se faz, como tantos feitiços e fetiches, feitiçaria da que sabe pousar no inferno com pés doces, chão gelado não termina na primeira placa, eu emplaco logo seis poemas e os descarto com a mesma pressa, nem as palavras acompanham, acompanhe-me enquanto desabo. Olhe só, veja você, que tragédia.

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