domingo, 21 de junho de 2015

Carta ao inverno - Nicolas Santos

Aos necessitados lavadores de palavras, uma que não consta, um dicionário próprio, tua história mitomaníaca é a favor de flashes e fraudes. Não participo do exibicionismo socialmente aceitável, com tudo isto na mala que não existe, parto para poder partir, parto-te, parto-me. Coíbam o querer metodológico, o pragmatismo. Apaixonar-se não estará em planos, cativar-se é e está apenas em livros que vendem feito água, água não é livro, não é livre, água não opta. Gosto daquele lugar, aquele mal iluminado, prestes a civilização, luzes fogem em uma direção qualquer, como se houvesse onde ir, como não há. Locomovem-se em pressa, pressionados, presságios de aviões, prédios, perdidos, garotos de uma cidade que não cresce. Independência é não sorrir para teu sorriso.
Agora cheira a chuva. Constato que não mais medico-me, medem-me. Anúncio retrátil, retirável.
Lembranças, detestar é proporcional, ressalvas são bem vistas, eu, quero mas alago a chamada alma, homeostase não há, eu não vivo. Oprimem com um medo martelar, hipérboles vagais costuram-se, nenhum espelho será amigo, nenhum amigo é espelho, desconexo em franqueza. Não há inusitado, não há separatismo sentimental, tudo espera neste meio termo concreto, essa imagem não sairá da minha fértil mente, minto. Destaque a força dos que translocam em um mártir indecente, sentenciam a saudade, eu não me lembro de quem fui, foi com tantos outros.
Não abra a janela, fiquemos na penumbra. Talvez o clima esteja como queremos. Nada temos.

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