domingo, 31 de maio de 2015

Chão de chuva - Nicolas Santos

Siga-me, eu te desdenho. Tanto faz o que fizeste ou fará. Eles choram lá fora, aqui dentro, nada. Eles somem lá fora, aqui dentro.
Eu não sei qual rosto encosta em qual, talvez sejam movimentos estáticos e minúsculos, prestes ao embate boquiaberto, isso tem vantagens. Sendo luz para que os germes daquele chão batido e mal-feito não atormentem o trabalhador que é quase feliz ao lado de sua esposa. Deixe eles, deixe, a história constrói-se ludibriando os pseudo-revolucionários, enquanto minha cara é dada a tapa, eles lavam tapetes persa. De algum modo essa interação é muito distante de mim, tenho alguma dificuldade em crer nas pessoas e que elas me julguem como interessante. Surjo cosmicamente desinteressado, forneço o possível, essa dança cai no vosso abismo, sou descendente do pó, das erupções vulcânicas. Por três e alguém mais. Isso seca tão depressa que nem nome tem, nome, o meu ? Desconhecem, desconheço, surjo cosmicamente desinteressado. Esquece na chuva os que estão distraídos, insiro uma mão na janela, cadeados, desconfortavelmente vivo. De pé em pé, de pé, em pé. Largo laranjas, luzes, noite não se dorme, não se dobra, noite é lago, largo o que é rio. Eu oceano, anseio vociferando. São tão possíveis, atrelam-se ao palpite vagal que é prender-se no abrigo anti-bombas da cidade velha, velho estou, braços em frangalhos. Deve ser o frio, a cortina. Quando morro, seguem, quando morrem, morro. Quando morro, descanso, eu descansarei.

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