domingo, 22 de março de 2015

Texto para quem sabe o que é solidão - Nicolas Santos

Eu gostaria de relatar, fugir disso tudo, de quem eu sou há tanto tempo, as luzes passam a toda, os carros parecem estar parados, pareados. Você que me conhece bem, me desconhece tão bem, essa enorme frequência saltita dos olhos e faz os braços latejarem, é dor, é febre, febre. Tudo bem, eu não sei lidar, tanto faz, o que observaste diz respeito aos seus olhos úmidos, a morte é um plano de saúde, a morte é viver. O encantamento é um imediatismo pré-programado, aflora qualquer paralelidade e deslava a leveza, concorde com estes termos bifocais, jamais. Tantos sorrisos vagais, tantas mentiras e acordos, quando retorno, retomo-te, aproxime-se e deixe em meu peito um carinho que presencia tudo. Pensei que mentiste e eu morri, de sua boca mentiras e eu morri. Pensei que mentiste e deixei a porta entreaberta. Eu morri por não crer. Escalonaram o meu desespero, erguei os braços enquanto podemos, enquanto tempos o porque, leva, leve, leste, lucidez e lembranças, o reinado de Paul Mccartney é solução. Deem-me liberdade e verei o que fazer com ela. Deem-me liberdade e serei quem posso ser. Tanto desaguei que o transbordado fez-me secar, haviam árvores, luzes escalafobéticas, outros e ao me comoverem, comoveram-me, tens modo. Eu senti, não sinto, vivo atrelado ao passado, não sentirei ou sinto, senti, megalomaníaco em construção, encostarei rosto a rosto. Cheques sem fundo, telefonemas não atendidos, o mundo é mesmo tão grande.

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