domingo, 1 de março de 2015

Bombas de hidrogênio - Nicolas Santos

Quando nos deixamos a margem das marginalidades sentimentais, criamos a mais clara vanguarda, nesta causamos machucados que não machucam. Externar não é solução, é alivio, alivio guarda almofadas no sol, enquanto secas, existe poeira, exista poeira, teu casaco não casa, não. A saudade é uma doação. Poema não se faz, se lança. E se lança de cima de prédios e embaixo de pedras. Poema não se faz, nasce. Anuncio o desfocamento da reserva, atrativo é atrativo, embarcaram e sem sentido algum, reclamam, reclamam e reclamam. Princípios de um príncipe que só concerne a própria situação, nem a Sibéria, nem a península Itálica, nem sorriso ou fraqueza, sou isso. Assemelha-se ao frio. Estou disposto a não estar, disseram-me que ia procurar-te, procuraram-nos, somos eficazes, somos indesejáveis a sociedade, tira colo, teu.
Teu ataque nuclear, no clear. Teu ataque nuclear é uma parede pintada enquanto o ônibus passa. Teu ataque nuclear, no clear.
Gosto de observar como as pessoas tocam seus próprios rostos e de saber que elas também testam façanhas incrédulas, escancarando seus erros. Sou um paradoxo egoísta, mergulhado em caos e totalmente fragmentado, encosto a cabeça no vidro do ônibus e não durmo, logo sorrio. A voz esganiçada, dizendo e levando, lavando mentiras sem parar, a voz esganiçada que pensa controlar o universo, pobre alma, lhe conforto.
Mude-me para melhor, se capaz, se possível. Não satisfaça o inviável, do alto da flor cai o pingo d’água. Dentro dos teus olhos, a flor. Eu não durmo desde que Júpiter se foi.

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