domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sempre será tarde e sempre ao nada - Nicolas Santos

Adiantaste que essa seria uma previa do término, terminamos ao acaso em qualquer caso, qualquer esquina que recebe flores em matrimônios. Sobrou-nos uma quantia nada significativa e perguntas deslocadas, seus momentos impregnam-nos e tudo se torna descartável, culpo o que posso. Gosto de visualizar-te, mesmo que meu peito despedace-se em problemas metódicos que surgem com aviso prévio, eu ancoro por aqui mesmo. Disse-me, cuida-te e eu cuidei-me, disse-te vá e tu jamais voltou. Reavaliam e creditam a dor ou algo ainda mais peculiar a desistências, não querem compreender o que também está neles e e não morres todos os dias, não tente compreender-me, o que faz alguém querer viver ? As luzes equacionam-se em frações nada comuns, são reflexos desprovidos da lógica comum, são objetos que emanam algo que é quase afeto. Eu para comigo mesmo em desatinos que não envolvem-te, suas preocupações são desocupadas e toda chuva é mais minha. Sua face perdeu-se em meio a minha camiseta branca, foi um gesto que memorizarei, intencionalmente. Não sinto-me, minha sobrevida invade a madrugada, assumo isto por algum algo que pouco compreendo, em suma, sumo. Respostas atravessadas, curtas e pontiagudas, terei teu abraço hoje, deste não abrirei mão, por segundo algum, por vida alguma. A disposição manifesta por ai, mata-me, lenta e cruelmente, são exclamações em decibéis irritantes. Seu nome e sorriso, cada vez mais distantes, transformaria seus trapos em algo recorrente para não ver-te passar aos meus olhos. Toda culpa recai sobre esses ombros, estes braços, a indecência é programada e destilada em sabores distintos, queria por melhora qualquer. E como odeio errar, erro, erro e erro um pouco mais, todo este paradoxo contempla o quão humano ainda sou. Por isto e por outros motivos que serão encadernados e distribuídos em ruas, vivo assim, talvez experimentem quando em mão estiver. Teus discursos são desprovidos de qualquer vontade racional, as palavras caem e não encontram qualquer respaldo. Mantive-me com alguma bravura desconhecida, firme, sólido, extremamente decepcionado com toda a banalização, porém lá, a espera, esperança. Disseram-me que a vida é isto, murmurei comigo mesmo em um silêncio atrevido que cortou toda a cidade, a vida é isso mesmo. Por motivos tortos pretendemos seguir linhas que condenam-nos a debates monossilábicos e aventuras em carros que não movimentam-se. Assassinos pessoais e semi-profissionais, pouco importo-me com o que precisa ocorrer desde que ocorra, temos fome de almas companheiras. Logo prolongarei este desatino sincero, não peço para que lembre e tampouco participe, são escolhas e consequências, sinta o que decidir. Destoando, as paredes nada sólidas prosseguem de pé, horizontalmente o horizonte cobra por mercadorias verossímeis, é só o começo de um dia Sinceramente ao nada.

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