domingo, 29 de dezembro de 2013

Ziggy Stardust - Nicolas Santos

Estraçalhado, alto da noite, toda forma de vida próxima, repousa, desconhecem tamanha dor e sentimento, bebem água em alma, eu solidão, tão escuro que as letras somem uma a uma, lágrimas não planejam o caminho do rosto, muitos ignoram palavras alugadas, muita violência para uma carta só, só uma carta. Ponto final, vírgula. Tua dor quer casar com a minha, são livros que ficam no fundo da biblioteca, mal lidos e escritos, meus, para ti. Pés cansados e surrados, lembram-te que a saúde é essencial para que algum dia, tragicamente acabe. A instabilidade é um ponto comum aos meus dias, hoje a roupa branca emana sangue, olhei-me no espelho e quis ser de alguém, você, doce criança de olhos mareados. Doente de tudo que nada faz adoecer, recupero tuas mãos e beijo seco, seus lábios cantam David Bowie, não cante ou impulsione fracassos capitalistas que na lama são o mais atrativo desperdício do mundo todo, nem saberão seu nome. Propago não reverências e visitas, sou qualquer distração inerente ao fraquejar, desmonta-se em adoração à mim. Mantenho a eloquência para resolver-me quanto a todos atrasos, porões empoeirados guardam a magia do punk nova iorquino. Por hoje tudo bem. Distúrbios perigosos, pois mal compreendidos, frases e golpes que nada afetam, resíduos do que me disse. Escadarias de prata e amores involuntários, descompasso qualquer, blocos e notas, noticias aterrorizantes, sábado dói em essência. Os gigantes vão caindo um à um, estabelecem-se novas ordens, neblina é neblina até não ser. Escondem-se e proseiam que tudo é permitido, na primeira chuva, na primeira desistência tudo é vão, depois o retorno é válido. Se questionasse, porém e francamente vives a atordoar-se, acorda cedo demais para quem nada sabe, acorda tarde, vive feito a gente, cuidadosamente, vivem no estável e invariável, desconheço algumas expressões e policio-me para regressar a forma comedida. Perguntei a ela onde morava, respondeu-me : Saudade, sabe onde é ? Acenei a cabeça e com um sorriso de canto, falei : Sim, sei. Nesta carcaça embriagada a dor já não mais cabe, preciso com urgência de uma mão que saiba salvar, jamais candidatam-se.

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