domingo, 14 de abril de 2013

Pra dizer que não tenho sobre o que falar - Nicolas Santos

Sobreviveremos. Ameaças, meia-voltas, quebradiças promessas. Sobreviveremos, ataques nucleares e as paixões diárias que ruminam por um segundo, vontades que se mostram a verdade, somos uma resistência qualquer que desaba ao isolar-se. Temos o telefone das abstrações, sejam essas nacionais ou inventadas para serem companhia, há uma planta que se deita no concreto e reza para o céu cinza, por vezes cética, por vezes incomum. Aproxima trejeitos e agarra como e com força aquilo que lhe tem ao colo, desconta problemas com facilidade, se entrega ao conhecer. Sobrevive também, pois nada é belo, nada perdurá, a parede é uma prova, a parede é substancial, como todo resto, substâncias. Beba do café amargo, enquanto leio as ultimas novas que já são as ultimas novas, leia-me e fabrique aquilo que mais quer, um despejo matinal, eu lhe entendo, sei que sobreviverei. A vida é um pedido de perdão ao cosmos.

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