domingo, 2 de dezembro de 2012

Medo de avião - Nicolas Santos

Um pouco triste, nada que fuja do comum. Do comum e disperso que por um acaso anda por estes lados, lados estes que não tem direção, não tem se quer algo para apreciar, embora ainda existam músicas que pareçam trilhas, engasgadas e frias, tão ou mais do que as palavras que caem do céu e atingem a minha casa, buracos no telhado. Escrevo em um desses cantos, penso no seu rosto e forço-me a esquiva, forço-me por mais uma destas lembranças e penso no seu nome, buracos no telhado. Pareio com a desgraça de estar e afino o meu rosto em uma dessas fotografias, onde o meu cabelo bagunçado tira todo o foco da alma quebrada, fecho-me em expressões e obras de arte, não muito apreciadas, não muito coloridas, minhas. Poderiam até ser dividas, mas estas, estão em um ponto tangível, você prefere a rota em que outro qualquer que te vire do avesso chame mais a atenção, tudo bem, acostumado estou e nado contra a maré, em golpes descompassados perco-me neste oceano e acabo afogando as mágoas e todo o resto. Restou você, restou. Sempre fica algo, nestas tardes onde a noite cai e todas as chances quebram, não sei amar.
"O que eu deveria fazer se a melhor parte de mim sempre foi você ?"

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