domingo, 29 de julho de 2012

Sobre não mudar o lado do travesseiro - Nicolas Santos

O fim está próximo e não, essa não é mais uma dessas previsões apocalípticas tolas que causam perturbações em pessoas de muita fé e pouca inteligência, estou falando, apenas do nosso e mais que percebível fim, um fim que chegará a qualquer momento. Talvez em uma carruagem negra, puxada por cavalos brancos, onde cavaleiros e donzelas estarão instalados, talvez eles cortem algumas gargantas e esperanças em filmes de tv, talvez já cheguem desgastados, mas com certeza eles anunciaram o nosso fim, fim de um relacionamento que parece só ter existido em uma mente inquieta e cheia de problemas, uma mente que se preocupa com horários e com a sua reeducação alimentar, mente essa que desaprova, comentários de terceiros sobre as coisas giráveis e confortáveis desse mundo, mente e desaprova o mundo, mente e vive a balançar a cabeça negativamente, enquanto espera por nuvens. Nuvens que jamais sabem o que fazem, pois a consciência, parece faltar as nuvens e a metade dos seres vivos, que não sabem cuidar de plantas e adiantar relógios, mas o vazio está cheio, cheio de abraços e beijos e dizeres de amor, dizeres esses que são partes de histórias, histórias … Agarrei-me a um motivo, que por mais tolo que pareça é de total exclusividade, assim como a minha cama e o meu guarda-roupas, que guarda bem mais do que roupas, também guarda alguns pensamentos e tipos esquisitos de saudade, saudade essa que mudaria o mundo, no seu abraço vazio, eu me encontraria. Mas o fim, já está por chegar, vista a sua roupa preta mais branca possível e chore, chore, gaste todas as lágrimas na margem da pia, enxugue o rosto na velha toalha de pano e me encontre no nosso canto, pretendo dizer, que não lhe amo mais

Um comentário:

  1. que lindo e trágico.
    você escreve tão bem aqui quanto no twitter...
    gostei muito! vou acompanhar mais as suas postagens :3

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