domingo, 11 de dezembro de 2016

Aos que amo - Nicolas Santos

No fundo a gente sabe o quão a vida é engraçada, quer dizer, você acorda, almoça e quando vê está no meio de uma sala repleta de pessoas se perguntando, "como é que eu cheguei aqui?" É claro, há algo muito lógico para responder a isto, existem automóveis, caminhadas, bicicletas, caronas e etc. Mas frente a isso também há beleza e todos sabem reconhecer beleza, onde há beleza, tem gente que vamos amar para sempre, mesmo que o sempre seja apenas uma hipérbole que se desconstrói com o tempo, o sempre acaba, se renova, se renova e acaba, mas tem gente que iremos amar, para sempre. Essas pessoas que sorriem com os olhos e dão abraços que de tão demorados, as almas se entrelaçam, gente que te sonha, mesmo que seu dia tenha sido um pesadelo completo, assim como a sua semana, seu mês, seu ano. Sua vida. Nisso e disso a gente sabe também, tem dias que a cama é o lugar mais seguro do mundo e a solidão já é uma amiga célebre, conhecida, íntima, portanto, a luta segue, todo dia e ninguém faz ideia disso, o quanto a gente se esforça, tropeça, cai, o quanto a gente levanta durante duas horas de uma quinta-feira onde tudo que você gostaria era ouvir aquela música calma que te faz lembrar do primeiro ano do colegial, onde você encontrou pessoas que finalmente te aceitaram como você é, pessoas que não queriam te mudar, pessoas que disseram: "vai em frente". Você consegue e não é que consegue mesmo? A gente consegue sim, a gente consegue todo dia, é que um dia a gente deixa de conseguir e esquece de lembrar o quanto conseguimos, não se esqueça. Tem gente que a gente vai amar para sempre, coisas da luta, coisas da vida, mesmo que não nos amem de volta, mesmo que haja impossibilidades, mesmo que não saibamos realmente amar. Eu não costumo comemorar, nunca vejo motivos, mas quer dizer, eu consegui também, ou quase isso, mesmo que eu não consiga em termos sociais, a gente é mais do que um corpo, um cabelo arrumado ou bagunçado, mais do que uma toca, ou uma camisa velha que usamos para nos sentir protegidos do mundo. O mundo dói, não poder estar com que se ama, dói, terminar, dói, começar de novo dói também, mas no fundo, a vida é engraçada, mesmo que a gente nunca encontre tempo para rir.

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