domingo, 15 de junho de 2014

Honra - Nicolas Santos

Pouco faz diferença, ocorre antes mesmo de começar, sou tão ou menos alterável, ataco com uma frieza precoce, deixo acabar, derramem-se. A sociedade se organiza de forma preconceituosa, pautada no capitalismo desenfreado que engrandece qualquer dor e trata essa para salvar, recolhem os bens da união, somos explorados o tempo todo, julgados o tempo todo, lutamos para sobreviver a uma quarta-feira. Prepare-me para reconhecer a tua mão entre todas. Minha escuridão desce e planta algo, desloca-se e garante o poder angustiante, ressaltemos que nada alega, nada apropria, nada altera. Merecidamente destroçado. Desabo e espero para e por qualquer música que faça as roupas não passadas e amontadas, voltarem a vida, passo e logo volto ao mesmo termo, faça meus olhos sorrirem. Depois da calmaria, a tempestade. Pelos olhos, encontro-me com o que sempre pretendi, deparar-me com quem de um jeito vergonhoso ou outro, importa-se, isso vale, percebo que sou tão passional quanto racional, isso atravessa facas com sangue e liminares, poltronas resultam do que as árvores eram. Somos contracultura contra tudo. Para quem gratifica e enaltece qualquer drama mal resolvido, estamos tão bem quanto poderiam esperar. Resolvo as vezes e isso nada engrandece, sumo as vezes e isso nada engrandece, dentro de vacilos e onomatopeias, sorrir por quê ? Deteria qualquer amor possível, estrelas prosseguem a cair, da janela poderás ver. Guarde isso ou deixe passar, é isso que eu deveria falar e tão pouco vou, enquanto durar. Desprego e uso qualquer martelo para consertar flores, sou preso ao que faço, acorrentado, deslavadamente, em rotina sincera. Manipulo resultados já manipulados, é como a natureza que lava os pés dos edifícios, como algo realmente importante que à ninguém importa. Acredito em quem não acredita. Discussões e dúvidas dificultosas, a vida é mesmo ruim e ingrata, tão ou mais do que esperaria. Resolverei o que tenho de resolver. Desvinculo-me de obrigações resignadas ao conformismo, demonstro certo orgulho por quem sou, momentos raros de sorrisos espontâneos. Estas situações tem obrigado-me a maturar minha mente e corpo, sei que essa preparação terá frutos incontáveis, há tempos não via-me assim. Não és mais criança a ponto de deixar de cuidar-se por capricho, somos personagens que aparecem somente em duas folhas, sufoca-me até a morte. Aquela voz atravessou a pedra, fez com que eu percebesse o ouro grudado a sua alma, de qualquer modo, apenas isso.

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