domingo, 11 de maio de 2014

Rosto morto, resto, morto - Nicolas Santos

Apropriam-se de bastardos que prosseguem a disseminar impróprios discursos, beneficiam apenas à si, enamoram a hipocrisia e o comodismo puro. Resido vagamente, resisto, professo algumas palavras incolores que atingem-te, desde que a incongruência existe. Não me poupe, temos vida. Delitos latentes e desafios que perseguem o verde, endiabrados e fortes, gosto de metal nas suas diversas facetas, faça o queres daí. Acionem e dinamitem, conversas prolongadas dão-se graças a intelectualidade, proseio nestas e discuto mais que respiro. Não me recordo, era de suma importância olhar-te e quase criar-te, hoje tanto faz que tanto fez, percebo que andas suja, esperançosa, fraca. Reativo algumas lembranças, à pedidos, tenho encontrado o meu caminho, tenho feito este, desloco-me vagarosamente, atento, apostos a luta, espetaculosos a parte, o mundo segue, seguiremos as estrelas que tem nome e pertencem a constelações que jamais vamos distinguir. Questiono alguns questionamentos, represento todas as dúvidas e esclarecimentos possíveis, enquanto ouço vozes perambulando em um rádio. É usual até mais ver, pouco faço questão, sobrevivem em minha vida com grande dificuldade, amontoam-se na poeira e nunca abraçam, digo o que pretendo e vou-me. Não busque qualquer sentido ou forma, dentro das coisas que pronuncio, o egoísmo não nos permite um olhar detalhado sobre o próprio rosto. São pausas que faço, voluntários ou não, a respiração torna-se comum aos que podem e querem enxergar isto, continuo, despedaçando-me quieto. Talvez tenham medo desses olhos e olhares que desfiro, são melancólicos em carga máxima, mesmo quando menciono qualquer sorriso frouxo. Desalojam, não tenho muito tempo para enriquecer-me de pobres palavras, vagarão e um dia terão a percepção de que nunca estive mesmo.

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