domingo, 8 de janeiro de 2012

Sem nome - Nicolas Santos

Me sentei e comecei a pensar, não pensava em nada, mas estranhamente eu estava pensando em tudo, pensava em como a vida é curta, como ela demora, um dia com 24 horas chega a ser torturante, mas ás vezes é tão pouco.

Tão pouco que eu nem entendo, tão tudo que me falta algo, tão nada que eu ainda espero, tão cheio que me esvazia, tão feio que dói de tão lindo. Tão vida essa tal de vida, tão linda de ser vivida, tão fácil de ser dormida, tão guerra pra ser vencida, tão casa pra ser construída, tão vida.

Que tem detalhes impercepitíveis, invisíveis, invencíveis,como o bater de asas de um inseto que antes era lagarta e hoje passeia ostentando tudo que ninguém tem tempo pra ver, ninguém tem tempo pra ver o quanto me cega os olhos tudo aquilo que o mundo não me dará chance de ver, me ensurdece todas as vozes que não conhecerei, me parte a alma todos os corações que não terei. Mas de certo modo sinto uma paz absurda pintando a janela da minha casa, uma paz tão boa de ser vivida, que eu não a vivo, tenho medo das coisas boas e adoráveis.

Gosto do cinza é, estranho pra alguns, mas meus olhos nunca viram o céu azul, só vem cinza, pintado de nuvens brancas e um astro que me estraga a visão, só vêem a poeira que adormece sobre meus livros e come os restos de fragmentos do que um dia foram sentimentos. Tão vida essa vida, tão morte essa vida, morte, todos pensam nela quando se cansam da tv que mente em plena luz do dia, todos ouvem músicas tristes e morrem a cada segundo que passa, cada segundo a mais é um a menos, mas a vida é tão vida, que ninguém dá a minima.

Grite gol, grite eu te amo, grite vá se foder, grite, um dia tu não terá mais voz pra isso, um dia tu não terá mais vontade pra isso, mas agora esqueça os raios ultra-violetas e focalize em mim, me abrace apertado e me inale, me inspire, nunca me respire, não sou flor que se cheira, gosto de ferir, gosto de tudo que me faz chorar. Odeio chorar e esperar, mas gosto disso, de não saber o que fazer e nem pensar, gosto de verde e ver que um dia deixei marcas, além das digitais em sua porta, porta fechada e esfregada na cara de quem queira entrar, gosto de saber que um dia teu lençol terá o meu formato e que seu coração vibra ao invés de pulsar.

Corações costumam doer e eu não dou a minima, sou mais um detalhe impercepitível dessa vida, ah vida porque és tão vida ?



2 comentários:

  1. ...mas a vida é tão vida, que ninguém dá a minima.

    E passa rápido demais, curta demais aos nossos olhos.
    Num dia que haveria de ser belo você tem tudo, então perde uma parte e se vê sem nada.
    Esquecemos do valor, o valor real, não o valor do real.
    24 horas e para mim será outra vida, mas ainda será minha vida, então porque tanto valor ao tempo se não o conseguimos contar? E ao mesmo tempo não conseguimos dar valor até perder.
    E vem lágrimas, alguém te rouba um sorriso, você lamenta fielmente não ter dito adeus, mas você sorri porque tem boas lembranças e então chora porque a vida não está mais aqui.
    E solto minha voz e grito na minha mente, eu paro, eu sufoco, eu respiro, eu quero ver o bem, mas ele não vem.
    Eu consigo, um sorriso, eu consigo o meu sorriso.
    Eu quero hoje dar um tapa bem grande no Nick por me fazer chorar mas eu quero o maior abraço do mundo por saber tão bem me confortar.

    "Odeio chorar e esperar, mas gosto disso, de não saber o que fazer e nem pensar, gosto de verde e ver que um dia deixei marcas.."

    E agora mesmo sem alguma vida, eu terei de novo vida, pois pra mim não há morte, há outro sentido, outro lar, há paz.
    E de tão vida esquecemos de viver, mas a dor que derruba nos acorda e nos dá vida.

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  2. Olá estou te convidando para visitar o meu novo blog, tenho certeza que irá gostar, beijinhos.
    http://fasesdegarota.blogspot.com/

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