sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

o lugar que você deixou - Beatriz Fagundes


Oi saudade, eu sei o seu nome. Você só existe em português porque nós temos a mania de sentir dor, e então alguém inventou mais essa. Algum brasileiro, de fato. Porque no Brasil nunca surgiu algo realmente relevante? Enfim.
Não foi um prazer te conhecer, sabe? Não que eu seja antipática ou coisa do tipo.. mas você é insensível, me machuca e me faz lembrar de coisas que eu quero, mas não com tanta freqüência e também não com essa intuição, de sofrer.
Lembranças de você deveriam me fazer rir, como você também fazia, mas eu não sei porque choro tanto. Viu saudade, é sua culpa, aposto que se eu tivesse falando pra alegria, ou pro amor, talvez eu não estivesse assim agora.
Você lembra aqueles dias que a gente passava junto, brincando com as formas das nuvens, olhando os morros que pareciam um homem deitado, pensando se íamos guardar os carneiros ou as vacas primeiro. Imaginando alguém escorregando no tal escorregador de burro que tinha no outro morro.
Lembra dos dias que a gente sentou debaixo da morcegueira, pra ficar admirando a beleza que tinha aquela arvore. Os dias que íamos pra sorveteria e você fazia piadas super nada a ver com a moça do caixa.
Você lembra a primeira vez que você operou, que eu segurei sua mão e falei que você era o homem mais incrível do mundo? E da segunda vez, que eu não tava com você, que eu te mandei uma carta pedindo pra ficar mais um pouquinho?
Você ficou, eu sei que ficou, só não foi o suficiente pra saudade não te conhecer primeiro. A saudade tirou você de mim, ela te levou pra um lugar que eu não sei quando eu vou chegar.  Eu queria que ela me dissesse como faz pra ter você aqui comigo, mas descobri que ela leva e nunca mais trás de volta.
Hoje eu olho pra onde a gente sentava, eu no meu lugar, mas, você não esta ali, a saudade sentou no seu lugar. Os dias passam e a chuva molha aquela sua cadeira que ficava na varanda, que eu sentava do seu lado pra ouvir suas historias, e sempre que eu olho pra cadeira, eu vejo a saudade novamente. Vem aqui pedir pra ela sair por favor? Já faz muito tempo que ela ocupa o teu lugar. Por quanto tempo mais eu tenho que suportar isso?

Vô, onde você estiver agora, guia meus passos, me ajuda no meu caminho, me diz como fazer pra resolver aqueles joguinho que só você sabia. Eu te amo, e eu sinto saudade de você, baxinho!

8 comentários:

  1. Não tenho palavras pra dizer o quanto esse texto me emocionou. Parabéns pelo blog.

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  2. muito lindo...Vcs esscrevem super bem...eu fico até boba...parabéns pelo BLOG

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  3. nossa, vc quase me fez chorar...
    agora bateu a saudade do meu avô que já se foi tbm :/
    também sinto muita, mas muita saudade dele!

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  4. meu texto preferido daqui, muito perfeito. *.*

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