domingo, 9 de abril de 2017

A história de como morri - Nicolas Santos

Ao tempo dei tempo, não por querer ou um determinismo vagal, a realidade é que deram-me o tempo e desse pouco consumi, apenas identifiquei. É bom saber que estás trilhando um caminho que lhe permite dizer com certa segurança:“Estou bem”. Não sigo por essas avenidas e logo deixo-a. Sempre a esquerda, revolucionamos por não fazer silêncio ou compactuar com os deuses que moram no vigésimo quarto andar da multinacional. Excedem-se e desvalorizam o aspecto estrutural, debocham dos que tiveram nas costas o peso da dor de não poder expressar-se livremente, nada. Toma-me de assalto este cansaço inútil, inutilidade se compensa com poema, eu fico, ela se atenta e segue em frente, gente grande é assim. Lamento sua perda, poderia ganhar-me, como um desses prêmios recusáveis de qualquer manufatura contra-indicada, meus olhos se cansam. Recebo noticias distantes de alguém próximo, a calma cabe no mergulho a vossa angustia, fiquemos, sem usar nada que combine com nossos ossos. Tão fortes quanto qualquer sonho que altera todo vosso humor. Ela dizia algo, ligava e acordei, semearei a vontade que tenho do teu rosto. Nem nome temos, pelo menos, tu não, somos um amontoado que destaca de vez em quando qualquer um, só para sofrer indelicadamente por vida.

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